Venda de máscaras dispara 1829,3% mas lavar as mãos e tossir para o braço é mais eficaz

Há cada vez mais gente a usar máscaras na rua. E só no mês de fevereiro foram vendidas nas farmácias mais de 419 mil embalagens, um aumento de quase 2000% em relação ao ano passado. Mas a sua eficácia é questionada pelos técnicos de saúde. O DN explica a utilidade e a proteção de cada tipo de máscara.

"As máscaras não são recomendadas para a maioria das pessoas, pois há evidência limitada de que impeçam a propagação da doença. A boa etiqueta respiratória e a higienização das mãos terão um impacto maior". Uma recomendação da DGS, com data de 28 de fevereiro, e que não consegue acabar com a corrida às farmácias para comprar estes materiais.

A procura por máscaras passou de um total de 47 581 em janeiro e fevereiro do ano passado para 512 067 no período homólogo de 2020, um aumento de 976,2%, de acordo com dados revelados ao DN pela Associação Nacional de Farmácias (ANF). Já a venda de embalagens de desinfetantes subiu de 130 290 naqueles dois meses para 282 928 - mais 117,2% - no período idêntico deste ano.

Só em relação ao mês homólogo de fevereiro, no que diz respeito a máscaras os dados mostram um crescimento de 21 746 embalagens (fevereiro de 2019) para 419 539 (fevereiro de 2020), mais 1829,3% revela a ANF. Também aumentou a venda de desinfetante: passou de 61 953 unidades para 198 939, mais 221,1 % em igual período.

Contudo, além de não se justificar o uso generalizado de máscara, esta só é recomendada para quem tem suspeitas ou está infetado com o Covid-19 e para não contaminar as outras pessoas. Há dois tipos de máscaras cuja eficácia é baixa: as cirúrgicas e as do tipo "bico de pato" (FF P1).

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) sublinha que a utilização de máscara, "constitui não só um gasto desnecessário, como pode criar uma falsa sensação de segurança e, involuntariamente, descurar a adoção de medidas de etiqueta respiratória e de lavagem das mãos".

A corrida às máscaras está a preocupar a Organização Mundial de Saúde, temendo que não existam artigos suficientes para os técnicos de saúde. Uma preocupação demonstrada pelo diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esta terça-feira numa conferência de imprensa, justificando: "A capacidade de resposta dos países poderá esta a ser comprometida pela grave e crescente interrupção no fornecimento global de equipamentos de proteção individual - causada pelo aumento da procura, acumulação e uso indevido. A escassez está a deixar médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde da linha de frente perigosamente mal equipados para cuidar de pacientes com COVID-19".

E em França, o presidente Emmanuel Macron, anunciou esta terça-feira que o Estado requisitará "todos os estoques e a produção de máscaras de proteção" para distribuir ao pessoal de saúde e às pessoas infetadas com o coronavírus. Segundo a agência noticiosa francesa, AFP, a medida "visa tranquilizar a população, demonstrando que o Estado assume todas as suas responsabilidades em termos de gestão de crise", na perspetiva de "um aumento previsível da crise", explicou um membro do gabinete do presidente.

Independentemente daquelas recomendações, e porque todos os tipos esgotaram nos armazéns das farmácias que os vão recebendo a a conta-gotas, saiba o que está à venda em Portugal.

Comercializam-se em Portugal quatro tipos de máscaras, que têm usos e proteção diferentes: as cirúrgicas e as autofiltrantes (FFP1, FFP2 e FFP3). O DN explica os vários usos, informação prestada pela ANF.

Cirúrgica

As máscaras cirúrgicas são consideradas dispositivos médicos. São utilizadas no contexto de cuidados de saúde, nomeadamente pelos médicos em cirurgias e para impedir qualquer contágio ao doente.

Em geral, são vendidas em caixas com 50 unidades e que custam entre 7 e 10 euros, em média, dependendo do fornecedor. Há caixas que podem vender-se a cerca de 20 euros, mas este é um dos casos em que o cliente não discute o preço, uma vez que estão esgotadas na maioria dos sítios.

As máscaras autofiltrantes são a FFP1, FFP2 e FFP3 (de acordo com a capacidade filtrante) e estão classificadas como Equipamentos de Proteção Individual em ambiente de trabalho de alto risco químico e/ou biológico.

FFP1

As máscaras FFP1, algumas tão parecidas com o bico de pato que lhe dão o nome popular, têm uma proteção muito idêntica à máscara cirúrgica, que é baixa. Distinguem-se pelo tipo de material usado, a máscara FFP1 é em polyester.

"Constitui uma barreira física individual, protegendo contra inalação de gotículas transmitidas a curta distância e minimiza o risco de contaminação do ambiente pela contenção de partículas respiratórias", explica a ANF. É a mais recomendada para ser utilizada fora do contexto hospitalar, em casos suspeitos ou confirmados de infeção por vírus respiratórios. .

São, em geral, vendidas à unidade e que custa cerca de 2,90 euros, mais uma vez, depende do fornecedor.

FFP2

As máscaras FFP2 são as recomendadas pela DGS para os profissionais de saúde, dado o bom nível de proteção. São em material resistente e com filtros, permitindo também uma melhor respiração a quem as usa.

Protegem de fumos e/ou agentes biológicos e a sua capacidade de proteção são considerados média.

FFP3

As máscaras FFP3 representam uma proteção elevada, protegendo essencialmente de partículas altamente tóxicas, razão pela qual são muito usadas quando se usam materiais de construção tóxicos. Custam cerca cerca de 10 euros a unidade, dependendo da marca.

Cuidados

Independentemente do tipo de máscara, é importante garantir a correta colocação da máscara (pelo próprio utente) e a lavagem das mãos após a colocação.

Uma das perguntas ouvidas nas farmácias é sobre prazos de validade. As máscaras são descartáveis, logo, têm de ser substituídas sempre que são usadas. Por exemplo, quando se tira a máscara para comer, depois, deve colocar outra. Devem ser retiradas com o cuidado de não colocar os dedos na proteção, apenas nos elásticos, para não infetar as mãos.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG