Quercus de Aveiro apela a suspensão da caça em zonas ardidas

Organização diz que os animais que sobreviveram nas áreas ardidas têm dificuldades em obter abrigo e alimento

O núcleo regional de Aveiro da Quercus apelou esta terça-feira à suspensão da caça nas zonas que arderam no ano passado, por considerar que pode por em causa a sobrevivência das espécies cinegéticas.

Mamodeiro, Nariz, e Nossa Senhora de Fátima são algumas localidades do município de Aveiro onde a floresta está a recuperar dos incêndios de 2017, que afetaram também vastas áreas noutros concelhos do distrito, como Vagos, Arouca e Castelo de Paiva.

Segundo a Quercus, nas áreas ardidas os animais que sobreviveram têm dificuldades em obter abrigo e alimento, situação que é agravada com o calor e a seca, principalmente para os animais juvenis.

"A Quercus considera que a prática da caça nas áreas ardidas não é compatível com a preservação da biodiversidade, pondo em causa a sobrevivência de várias espécies. Por isso, apela às entidades gestoras das zonas de caça e aos caçadores da região que suspendam toda a atividade cinegética nas áreas ardidas e nas zonas envolventes, de modo a garantir a preservação das espécies cinegéticas e a conservação das espécies protegidas", refere aquela associação ambientalista em comunicado.

A Quercus defende também que o início da caça à rola, "a ocorrer, se deveria iniciar apenas na primeira década de setembro, enquanto para o pombo-torcaz e os tordos esta deveria terminar na última década de janeiro".

Quanto à caça aos patos, a associação alerta que "se sobrepõe ao período de reprodução e de migração pré-nupcial de várias espécies, pelo que a respetiva caça deveria iniciar-se na primeira década de outubro e terminar na segunda década de janeiro".

Em relação à galinhola, afirma, "continua a ocorrer um período de sobreposição de 10 dias com o período migratório pré-nupcial", pelo que a caça a essa espécie "deve terminar na primeira década de janeiro".

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