O ativista antitaurino que foi suspeito de querer matar a rainha Beatriz por usar peles

Peter Janssen, o holandês de 33 anos que invadiu a praça de toiros de Albufeira, tem um longo cadastro. Só nos últimos meses, foi preso no Japão, em França e na Colômbia pelas suas ações em nome da defesa dos animais

"Atacante vegan detido por alegadamente planear o assassinato da fã de peles rainha Beatriz." O título fazia manchetes nos jornais holandeses e apresentava um jovem Peter Janssen como suspeito de conspirar para cometer o crime, segundo testemunhos chegados às autoridades que também o acusavam de posse de arma ilegal.

O caso aconteceu no verão de 2009, na sequência de um ataque à então rainha Beatriz da Holanda - poucos meses antes, um homem atirara o carro contra o cortejo real em Apeldoorn - que levou Janssen e outros sete suspeitos à cadeia. A razão invocada para a detenção residia nas suspeitas de que o ativista estaria a planear um atentado motivado pelo facto de Beatriz usar peles verdadeiras - uma das causas contra as quais Peter Janssen, então com 24 anos, se movia. O ativista que na quinta-feira foi detido em Albufeira depois de invadir a arena durante a corrida de toiros, acabou por ser solto dias depois, uma vez que as autoridades não conseguiram confirmar as suas intenções - que o suspeito sempre negou - ou encontrar a arma que alegadamente teria comprado para cumprir o plano.

Esta não foi, porém, a única vez em que Janssen teve problemas com as autoridades ou se viu numa cela. O que não será de admirar tendo em conta que protagonizou mais de 40 invasões (números da própria organização) "em defesa dos direitos dos animais" só nos últimos três anos. Em Portugal, há meses, foi detido depois de uma invasão no Campo Pequeno, sendo alvo de um mandato de detenção em Espanha.

Dentro do já vasto cadastro constituído sobretudo por ataques e invasões ilegais de espaços privados - recorde-se que, dois dias depois do caso de Albufeira, Peter Janssen invadiu o Zoomarine -, as suas atividades mais recentes levaram-no à prisão em pelo menos três países em meia dúzia de meses.

No Japão, acompanhado de Kirsten Kimpe, uma mulher belga que pertence igualmente ao Vegan Strike Group - organização que criou e que financia as suas viagens (a fotografia de capa da página de Facebook é um apelo a donativos) -, Peter Janssen saltou para a piscina do Adventure World durante um espetáculo com golfinhos, segurando um cartaz onde se lia "Os golfinhos pertencem ao mar, devolvam-lhes a liberdade". Enfrentando acusações de terrorismo naquele país, os ativistas acabaram por conseguir a libertação ao fim de quase um mês de detenção, mediante o pagamento de uma multa de valor superior a 11 mil euros, conforme relatou o site holandês animalstoday, que ajudou a divulgar a situação preocupante vivida pelos manifestantes detidos.

Já neste ano, foi detido, multado em mil euros e obrigado a indemnizar El Juli e a praça de toiros de Arles, em França, que invadiu durante a tradicional corrida goyesca. O juiz condenou-o por "impedir com violência uma manifestação cultural". Janssen não esteve presente no julgamento por estar então retido na Colômbia, de onde acabaria por ser expulso na sequência de outra invasão, que correu especialmente mal. Quando saltou para a arena em Bogotá, numa ação semelhante à que agora levou a cabo em Albufeira, Janssen arrastou duas pessoas que ficaram feridas.

Ainda antes destes episódios, o holandês que se tornou famoso ao interromper um programa de televisão em direto usando apenas cuecas (e uma frase de ordem contra o uso de peles escrita no peito) foi preso e obrigado a indemnizar os proprietários de uma quinta de onde tinha libertado 2500 visons.

Ler mais

Premium

robótica

Quando os robôs ajudam a aprender Estudo do Meio e Matemática

Os robôs chegaram aos jardins-de-infância e salas de aula de todo o país. Seja no âmbito do projeto de robótica do Ministério da Educação, da iniciativa das autarquias ou de outros programas, já há dezenas de milhares de crianças a aprender os fundamentos básicos da programação e do pensamento computacional em Portugal.

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...

Premium

João César das Neves

Donos de Portugal

A recente polémica dos salários dos professores revela muito do nosso carácter político e cultural. A OCDE, no habitual "Education at a Glance", apresenta comparações de indicadores escolares, incluindo a remuneração dos docentes. O estudo é reservado, mas a sua base de dados é pública e inclui dados espantosos, que o professor Daniel Bessa resumiu no Expresso de dia 15: "Com um salário que é cerca de 40% do finlandês, 45% do francês, 50% do italiano e 60% do espanhol, o português médio paga de impostos tanto como os cidadãos destes países (a taxas de tributação que, portanto, se aproximam do dobro) para que os salários dos seus professores sejam iguais aos praticados nestes países."