Menos alunos chumbaram no ano passado

Mantendo a tendência dos últimos quatro anos, aumentou a taxa de transição e conclusão dos alunos do ensino básico

O número de alunos que chumbam voltou a diminuir no passado ano letivo, com destaque para os estudantes do 1.º ciclo, segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo Ministério da Educação. Pelo quarto ano consecutivo, aumentou a taxa de transição e conclusão dos alunos do ensino básico: 94,5% dos alunos concluíram o ano letivo 2016/2017 com sucesso, revela o relatório anual "Estatísticas da Educação".

Entre os alunos do 1.º ciclo, a redução de chumbos começou a registar-se no início do século, uma tendência quebrada apenas em 2010. No ano letivo 2014/2015, 95,9% dos alunos conseguiram terminar o 1.º ciclo com sucesso, situação que veio a melhorar até ao passado ano letivo, quando chumbaram 3% dos alunos.

No ano passado, do 1.º para o 2.º ano de escolaridade nenhum aluno ficou para trás porque a lei não o permite, mas do 2.º para o 3.º ano mais de 7% dos estudantes tiveram de repetir. Nos dois últimos anos do 1.º ciclo, as taxas de sucesso superaram os 97%. Entre os alunos do 2.º ciclo, 5,8% dos alunos chumbaram no ano passado, segundo os dados agora revelados, que mostram que os resultados têm vindo a melhorar nos últimos quatro anos.

No ensino básico, o 3.º ciclo é o mais problemático: apenas 91,5% dos estudantes passou no ano passado, sendo que este é o melhor resultado dos últimos cinco anos (em 2012/2013, chumbaram 15,9% dos alunos). No secundário, as taxas de retenção têm vindo a diminuir desde o ano letivo de 2011/2012. No ano passado 5,1% dos alunos não conseguiram terminar o ano com sucesso.

Os dados mostram que o 12.º ano continua a ser o mais problemático com um em cada quatro alunos (26,2%) a não conseguir concluí-lo com sucesso.

O ministério da Educação sublinha, em comunicado, que houve um aumento de 2,1% de alunos a frequentar o secundário e atribuiu esta evolução positiva das taxas de sucesso "ao esforço colocado pelas escolas no desenvolvimento das estratégias locais, no âmbito do Programa de Promoção do Sucesso Escolar", que foi lançado em 2016.

Os dados divulgados apontam também para um aumento de adultos inscritos em programas de formação, duplicando os valores do ano letivo anterior, em resultado do primeiro ano de aplicação do programa Qualifica.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa

Os relatórios das instituições internacionais sobre a economia e a política económica em Portugal são desde há vários anos uma presença permanente do debate público nacional. Uma ou duas vezes por ano, o FMI, a Comissão Europeia (CE), a OCDE e o Banco Central Europeu (BCE) - para referir apenas os mais relevantes - pronunciam-se sobre a situação económica do país, sobre as medidas de política que têm vindo a ser adotadas pelas autoridades nacionais, sobre os problemas que persistem e sobre os riscos que se colocam no futuro próximo. As análises que apresentam e as recomendações que emitem ocupam sempre um lugar destacado na comunicação social no momento em que são publicadas e chegam a marcar o debate político durante meses.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.