Menos 1736 candidatos ao superior nos três primeiros dias

Entre quarta e sexta-feira tinham-se candidatado online 14 657 alunos, uma quebra face ao ano passado. Presidente do Conselho de Reitores diz que é cedo para tirar ilações mas admite preocupação

Entre quarta-feira - data de arranque da 1.ª fase de acesso ao ensino superior público - e a meia-noite de sexta-feira, um total de 14 657 alunos apresentaram as suas candidaturas às universidades e institutos politécnicos através do portal da Direção Geral do Ensino Superior (DGES). Uma quebra de 1736 candidaturas face aos três primeiros dias do ano passado.

No primeiro dia de candidaturas deste ano - tradicionalmente o mais forte da fase de acesso - candidataram-se no portal da DGES 7462 alunos quando, em 2017, a fase de acesso tinha arrancado com 8065 candidatos. Nos segundos e terceiros dias deste ano registaram-se, em média, cerca de 600 candidaturas a menos do que no ano passado.

Confrontado pelo DN com estes dados, António Fontainhas Fernandes, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) não afastou a hipótese de se estar a assistir a uma tendência para a redução dos acessos, apesar de frisar que o período de candidaturas acaba de começar. "Temo que sim mas ainda é muito cedo para fazer qualquer avaliação. Estamos a falar de três dias".

Menos interessados entre finalistas do secundário

O também reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) admitiu que as instituições estão acompanhar os concursos deste ano "com uma grande expectativa", face a alguns indicadores preocupantes. "Há dois elementos a ter em atenção: em primeiro lugar, as dificuldades dos exames, nomeadamente de matemática [do secundário], que foi amplamente divulgada pela comunicação social. Por outro, foi também divulgado [pelo Júri Nacional de Exames] que só metade dos alunos que terminam o secundário mostraram interesse em seguir para o ensino superior":

Recorde-se que a média dos exames de Matemática A deste ano, na 1.ª fase, registou uma quebra de 0,6 pontos, para 10,9 valores, com os chumbos à disciplina a aumentarem também para 14%, um ponto percentual acima do ano passado. A prova em causa foi alvo de críticas, nomeadamente no que respeita aos critérios de classificação, e teve ainda a particularidade de combinar (de forma optativa) perguntas de dois programas distintos da disciplina.

Quanto ao interesse dos alunos, de acordo com dados do Júri nacional de Exames, divulgados no mês passado pelo Ministério da Educação, entre os 161 306 inscritos nos exames nacionais do secundário deste ano, apenas 87 765 - pouco mais de metade - declararam a intenção de se candidatarem ao ensino superior. Em 2017, cerca de 90 500 tinham assumido essa intenção.

O DN questionou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre a tendência das candidaturas nestes primeiros dias mas ainda não obteve resposta.

Recorde-se que, nesta 1.ª fase de acesso, estão a concurso 50 852 lugares, com a particularidade de ter havido um corte de 1066 lugares (cerca de 5%) em Lisboa e no Porto que deu origem a mais vagas nas restantes regiões do país.

Em 2017, a 1.ª fase de acesso ao ensino superior terminou com 52 580 candidatos. No corrente ano, o prazo para a apresentação de candidaturas decorre até ao dia 7 de agosto.

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