Mais de 100 elementos da GNR e PSP já conduziram camiões nesta greve

[em atualização] Forças de segurança asseguraram, entre segunda e quarta-feira, o transporte de combustível em 84 camiões-cisterna. Sindicato dos motoristas de matérias perigosas reafirma que vai estar às 15:00 na DGERT, para reunião recusada pelo patronato. "Se a Antram não quer negociar, então a greve continua por vontade da Antram"

A GNR e a PSP asseguraram, entre segunda e quarta-feira, o transporte de combustível em 84 camiões-cisterna no âmbito da situação de alerta declarada pelo Governo devido à greve dos motoristas de matérias perigosas que entra hoje no quarto dia.

De acordo com um comunicado do Ministério da Administração Interna (MAI), os veículos pesados de transporte de mercadorias perigosas tiveram como destino as regiões de Lisboa, Faro, Setúbal, Sintra, Beja e Algarve. Durante o dia de quarta-feira foram abastecidos os aeroportos de Lisboa e Faro, adianta o comunicado.

A operação, segundo o Ministério, envolveu até ao momento 106 elementos das forças de segurança.

"Greve continua por vontade da Antram"

Já esta manhã, o presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Francisco São Bento, reafirmou o convite à Antram para retomar negociações nesta quinta-feira e garantiu que vai estar às 15:00 na Direção Geral do Emprego e Relações de Trabalho (DGERT) apesar da recusa da associação do patronato em negociar sem os motoristas desconvocarem a greve. "Se a Antram não quer negociar, então a greve continua por vontade da Antram".

"Vamos reunir, ponderar e chegar a alguns consensos" e "redefinir estratégias", foi a mensagem deixada por São Bento e Pardal Henriques, ao iniciar daquele que será o quarto dia de greve dos motoristas de matérias perigosas e depois da recusa do patronato em sentar-se à mesa das negociações.

"Não podemos, infelizmente, reunir com a espada na cabeça, não podemos negociar dessa forma (...), negociamos de uma forma franca e presencial (...), mas não sob ameaça de greve", foi a resposta de Pedro Polónio, um dos vice-presidentes da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram).

"O desafio lançado ontem [quarta-feira] para as 15:00 de hoje mantém-se", afirmou Francisco São Bento, acrescentando esperar que "ambas as entidades [Governo e Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram)] se apresentem na DGERT".

O presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) disse ficar "à consideração da Antram" manter a posição de recusar negociações caso os motoristas não desconvoquem a greve.

Francisco São Bento falava em Aveiras de Cima, onde se preparava para reunir com os associados do sindicato.

Motoristas estão a cumprir os serviços mínimos obrigatórios

O presidente do SNMMP adiantou que depois de "ontem [quarta-feira] os motoristas terem dado uma mensagem ao senhor ministro, após as ameaças de detenção", os associados vão continuar a cumprir os serviços mínimos.

A Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) anunciou esta quinta-feira que o abastecimento dos postos de combustível e dos aeroportos está a processar-se com regularidade no país,estando a ser cumpridos os serviços mínimos legalmente estabelecidos.

Os serviços mínimos legalmente estabelecidos foram cumpridos até às 10:00 do dia de hoje, de acordo com um ponto da situação publicado na página da ENSE na Internet pelo presidente do Conselho de Administração, Filipe Meirinho.

Durante a noite de hoje estiveram envolvidos no transporte de combustíveis 26 elementos Forças Armadas e das Forças de Segurança, e às primeiras horas da manhã, o número subiu para 54, acrescenta.

A ENSE recorda que a greve "continua a criar constrangimentos na distribuição de combustível no país, apelando à contenção na sua utilização".

Acordo entre Fectrans e Antram é "bom exemplo", diz Costa

Francisco São Bento disse ainda aos jornalistas que o sindicato está a "analisar a situação" após o acordo assinado na noite de quarta-feira entre a Antram e a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) e a "ponderar as próximas estratégias".

O presidente do Sindicato afirmou ainda não se sentir "isolado" após o acordo entre os patrões e a federação e afirmou que a greve vai continuar "cumprindo os serviços mínimos e a requisição civil".

Esta quarta-feira à noite, a Antram assinou um acordo relativo ao contrato coletivo de trabalho com a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), afeta à CGTP, elogiado pelo primeiro-ministro, António Costa.

"Saúdo vivamente o acordo alcançado entre a Fectrans e a Antram. Neste caso imperou o bom senso e o diálogo", escreveu António Costa no Twitter, acrescentando esperar que "seja um exemplo seguido por outros", numa referência ao SNMMP e ao Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que também convocou a greve iniciada na segunda-feira.

Um acordo fortemente criticado pelo SNMMP, que acusou, também esta manhã, a Antram de estabelecer acordos "à revelia dos trabalhadores".

Sem diálogo à vista, apesar destes apelos e de Pardal Henriques insistir no desafio à Antram para que se reúnam neste feriado católico da assunção de Nossa Senhora, os portugueses vão viver o quarto dia consecutivo de venda racionada de combustível nos postos que o tiverem disponível.

Para fazer face à greve, que afeta sobretudo a distribuição de combustível, o Governo fixou serviços mínimos entre 50% e 100%, mas logo no primeiro dia da paralisação decretou uma requisição civil parcial, até 21 de agosto, alegando incumprimento do estabelecido, sobretudo no Algarve e aeroportos.

Muitos dos camiões-cisterna passaram então a ser conduzidos por efetivos das Forças Armadas e de segurança nas zonas em que o Governo considerou que não estavam a ser cumpridos os serviços mínimos.

Requisição civil não vai ser alargada... para já

Em comunicado divulgado ao fim da tarde de quarta-feira, o Ministério do Ambiente e da Transição Energética anunciou não ser necessário, para já, alargar os termos da requisição civil.

O ministério de João Pedro Matos Fernandes adiantou que os "únicos casos de incumprimento dos serviços mínimos" se prendiam, na altura, com o transporte de combustível para aviões para os aeroportos de Lisboa e de Faro, que levaram à mobilização de mais de duas dezenas de equipas das Forças Armadas e de segurança.

A requisição civil dos motoristas em greve visa assegurar o abastecimento da Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), aeroportos, postos servidos pela refinaria de Sines e unidades autónomas de gás natural.

Portugal está, desde sábado (10 de agosto) e até às 23:59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta greve, o que levou à constituição da REPA, com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

Enquanto durar a greve, os veículos ligeiros só podem abastecer no máximo 25 litros de combustível em postos que não pertencem à REPA, e 15 litros nos postos da rede de emergência que não sejam exclusivos a transporte prioritário.

A greve foi convocada para reivindicar junto da Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

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