Jovem francês sequestrado em veleiro é libertado em operação "cinematográfica"

Polícia Judiciária, Marinha, Polícia Marítima e Força Aérea Portuguesa: em dois dias detetaram e libertaram a vítima de 28 anos que já se encontrava a 400 quilómetros da costa portuguesa. Sequestrador está detido

O resgate de um jovem francês, de 28 anos, sequestrado num veleiro em alto mar, envolveu mais de uma centena de operacionais das forças de segurança portuguesas. A operação "cinematográfica" envolveu elementos da Unidade Nacional de Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ), que contou com o apoio da Marinha, Polícia Marítima e Força Aérea Portuguesa.

A vítima foi libertada na madrugada de sábado, depois de dois inspetores da PJ descerem, de helicóptero, até a uma corveta da Marinha, onde esperaram pelo melhor momento para surpreenderem o sequestrador.

Vítima pediu ajuda por sms

Tudo começou com um sms enviado pela vítima a um amigo em França, na última quinta-feira. Dizia que tinha sido sequestrado em Portugal e levado para alto mar por outro francês, de 42 anos, já referenciado no país de origem como estando envolvido no crime organizado. Aliás, no comunicado enviado à comunicação social, a PJ descreveu o caso como tendo "contornos de criminalidade especialmente violenta".

Segundo o porta-voz da Marinha, o comandante Pereira da Fonseca, o amigo da vítima contactou as autoridades francesas que pediram ajuda à Polícia Judiciária. Em menos de 24 horas, descobriu-se que o veleiro já partira do porto de Leixões e rumo a destino desconhecido. Quando foi encontrado, estava já "a 400 quilómetros da costa", avança o comandante.

"Costumamos colaborar com a Polícia Judiciária em casos de narcotráfico, mas, em 28 anos, não me lembro de uma situação de sequestro", disse ao DN o porta-voz da Marinha.

Para detetar o veleiro foi necessária a intervenção não só da Polícia Marítima, como também da Unidade Especial de Fuzileiros da Marinha. Depois, foi planear e montar a operação de resgate, que teve início ainda na sexta-feira.

Dois inspetores da UNCT da PJ desceram de um helicóptero da Força Aérea e foram largados na corveta Jacinto Cândido, onde esperaram pela madrugada de sábado para atuar.

A vítima não apresentava sinais de violência. No veleiro foi encontrada "uma grande quantia de dinheiro", segundo a PJ, que não avançou mais dados, uma vez que o caso ainda está em investigação.

O jovem já prestou testemunho e desconhece-se se partiu para França ou se continua em Portugal. O sequestrador foi ouvido no domingo por um juiz e encontra-se em prisão preventiva.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.