Coordenação do incêndio de Monchique passa para Patrícia Gaspar

A cara do combate aos incêndios de 2017 está a caminho de Monchique. Ministro da Administração Interna garante que combate aos incêndios está a ser feito de forma "notável". Eduardo Cabrita frisa que de 500 incêndios que deflagraram desde sexta-feira só resta o de Monchique.

Patrícia Gaspar, comandante nacional operacional adjunta, já está a caminho de Monchique para coordenar a operação no terreno, agora que a sua gestão passou para âmbito nacional. A operacional da Proteção Civil tornou-se uma cara familiar dos portugueses quando, no ano passado, era a porta-voz durante a crise dos incêndios de junho e outubro.

"Podemos dizer que a resposta de todas as entidades foi notável, porque permitiu passar a rescaldo todas as ocorrências, sem qualquer risco e sem vítimas", afirmou o responsável governamental no balanço do fogo da serra de Monchique. Eduardo Cabrita aproveitou para anunciar que as operações no terreno passam para o comando nacional da Proteção Civil, depois de terem estado dependentes do comando regional de Faro, devido à dimensão do incêndio e dos meios envolvidos.

Eduardo Cabrita justificou a dimensão do incêndio de Monchique com as condições climatéricas "excecionais" que se fazem sentir no Algarve, uma zona que lembrou ter sido a "prioridade" desde o início de agosto, precisamente por estar referenciada como zona de risco. O ministro garantiu que a eficácia da resposta é espelhada pelo facto de terem sido debelados 500 incêndios rurais desde sexta-feira. alguns deles com "dimensão perigosa", como o que atingiu a serra de Marvão.

Às críticas dos representantes dos bombeiros profissionais, que lhe pediram uma audiência "muito urgente" para questionar porque se voltaram a ter fogos com duração de mais de três dias estando tantos meios de combate envolvidos, Cabrita deu uma resposta dura: "Serão ouvidos, mas este é o tempo do combate de pessoas que estão a pôr em risco a sua vida". O ministro frisou que o tempo do balanço não é este, mas elogiou a coordenação que "tem tido a participação notável dos bombeiros, forças armadas, forças de segurança e autarquias".

"Não está por aprovar nenhum Plano de Gestão de Monchique"

O responsável pela Administração Interna desmentiu também que esteja para aprovação no Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) qualquer plano de intervenção para Monchique.

Isto porque o presidente da Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio (Aspaflobal), Emílio Vidigal, afirmou, ao jornal Público, que está há sete meses à espera da aprovação de um projeto estruturante para a Zona de Intervenção Florestal de Perna Negra, em Monchique, onde começou precisamente o incêndio da passada sexta-feira.

O plano apresentado prevê, entre outras coisas, a criação de pontos de água e caminhos de acesso para combate a fogos.

"Há mais de um ano que todos sabem que Monchique estava no topo da lista das zonas de maior risco de incêndios florestais. Há mais de um ano que todos sabem que a serra de Monchique era a próxima a arder. Há cerca de sete meses que enviámos para o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) um plano estruturante para a Zona de Intervenção Florestal de Perna Negra e nada foi feito", referiu o líder da Aspaflobal - que representa cerca de 500 produtores florestais da zona do Barlavento algarvio", afirma Emílio Vidigal .

O Ministério da Agricultura, em comunicado enviado ao DN, esclareceu que "não está por aprovar nenhum Plano de Gestão de Monchique relativo à Zona de Intervenção Florestal de Perna da Negra, apresentado pela Aspaflobal ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas. A Aspaflobal apresentou, sim, uma candidatura à medida 8.1.3 "Prevenção da Floresta contra Agentes Bióticos e Abióticos" do Programa de Desenvolvimento Rural - 2020, que se encontra em análise".

Segundo o ICNF, o que a Aspaflobal pediu, a 8 de junho, foi um parecer relativo à consonância do projeto com o Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios. O pedido, refere o ICNF, teve parecer favorável e foi comunicado a 31 de julho à Aspablobal. "Em nenhuma circunstância, um pedido de parecer obrigatório feito em junho ao organismo com competência de autoridade florestal nacional resultaria em trabalho executado antes do período crítico".

"Só nos fazem perguntas sobre dados que já têm e que nós vamos repetindo nas respostas. Dois dias antes destes incêndios enviaram-nos um conjunto de 30 perguntas, como, por exemplo, sobre estatutos da associação ou pediam garantias de que não temos dívidas à Segurança Social. O comprovativo de que não temos dívidas caduca a cada três meses, mas como o processo não avança no ICNF, de três em três meses, este pede novo comprovativo. É um processo burocrático estúpido e sem fim", acrescenta Vidigal, confessando-se revoltado com tudo o que se está a passar.

Apesar de tudo, o presidente da Aspaflobal admite, nas mesmas declarações ao Público, que não pode garantir que se aquele plano já tivesse sido aprovado isso seria suficiente para impedir o alastramento do incêndio deste fim de semana em Monchique. Mas "o combate teria sido mais efetivo", sublinha, com "certeza".

Sobre a candidatura ao Programa de Desenvolvimento Rural - 2020, que obedece a requisitos rigorosos por parte da UE, diz o ICNF que esses requisitos não foram cumpridos e que, por isso, a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, entidade que analisa a candidatura, pediu mais esclarecimentos à Aspaflobal. Os quais, segundo o ICNF, ainda não foram respondidos.

Assim, nesse âmbito, prossegue o comunicado do instituto, "não há condições para que a candidatura apresentada ao Programa de Desenvolvimento Rural - PDR 2020 pela Aspoflobal esteja aprovada neste momento".

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