90 mil portugueses emigraram em 2017. Reino Unido ainda é o principal destino

A emigração desce em 2017 pelo segundo ano, mas não é uma quebra abrupta. Saíram 90 mil, menos dez mil do que em 2016. O Reino Unido, Alemanha, França, Suíça e Espanha são os principais destinos e, neste último, emigrantes da Venezuela.

O Reino Unido continuou a ser o principal destino dos portugueses em 2017, apesar de se registar uma descida de 26 % comparativamente ao ano anterior e menos dois terços do que em 2015. Emigraram 23 mil para o território britânico.

Tem influência a "retoma da economia portuguesa" e, também, o "efeito Brexit", explicam os autores do relatório Emigração 2017, apresentado esta manhã no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Reforçam, no entanto, que o referendo britânico também se notou em Espanha, França e Itália.

Presentes na apresentação do estudo, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, além do responsável do Observatório da Emigração, Rui Pena Pires, autores do relatório.

"O relatório confirma a tendência de descida da emigração, uma componente deve-se ao emprego estar a crescer em Portugal e, outra parte, resulta do facto do principal destino estar a perder atração na sequência do processo do Brexit", explica Rui Pena Pires.

Ganham os países europeus

Outra das tendências de 2017 é o predomínio dos países europeus como destino dos portugueses e o aumento da importância dos africanos em detrimento dos americanos. Isto, apesar de menos portugueses estarem a escolher Angola. Nos 23 países de destino, mais de metade (14) são europeus.

Fora da Europa, falam português os principais países de destino: Angola (3 mil, em 2017), Moçambique (mil, em 2016) e Brasil (mil em 2015).

O desinvestimento em Angola "deve-se à crise económica desencadeada com a desvalorização dos preços do petróleo", diz o relatório.

Para o futuro, as conclusões a partir das estatísticas dos países de destino, apontam para uma contínua descida da emigração para o Reino Unido. "De qualquer forma, e a não ser que problemas deste tipo nos principais destinos se multipliquem ou acentuem bruscamente, deverá manter-se a tendência para uma redução da emigração mais lenta do que a subida registada nos anos mais agudos da crise, bem como para uma posterior estabilização em patamar superior ao do período pré-crise".

Espanha é o quinto destindo, entram com passaporte português mas saira da Venezuela

Os sociólogos detetaram uma situação que vai em contra corrente e que é o número de portugueses a chegar a Espanha. É o quinto destino dos novos emigrantes, na ordem dos dez mil em 2017, depois do já citado Reino Unido, e ainda Alemanha, França e Suíça.

Rui Pena Pires coloca como hipótese serem portugueses de segunda geração que viviam na Venezuela. "Há indicações que possam ser, não portugueses que estão a deixar Portugal, mas descendentes de emigrantes venezuelanos que, com a situação de crise e por efeitos da conjugal idade, têm familiares em Espanha, cuja língua dominam melhor". Outro indicador é o facto de não estarem a aumentar as remessas de Espanha, indicando que poderão ir para a Venezuela. Este é uma situação que é preciso confirmar nos próximos estudos.

Portugal é na UE quem tem mais emigrantes

Se fizermos as contas do lado dos países de destino, ou seja, a percentagem de portugueses nos fluxos migratórios, estes continuam a representar uma parte importante das novas entradas no Luxemburgo (14% em 2017), em Macau (6.5% em 2017) e na Suíça (6.3% em 2017).

Foram a segunda nacionalidade mais representada entre os novos emigrantes no Luxemburgo, a quarta na Suíça e em França (valores de 2016), e a sétima no Reino Unido.

E Portugal continua a ser o país da UE com mais emigrantes em proporção aos seus habitantes, revelam as estimativas das Nações Unidas, de dezembro de 2017.

O número de emigrantes nascidos em Portugal era ligeiramente cerca de 2,3 milhões, representando 23% dos dez milhões que vivem em Portugal.

Nas últimas décadas, a percentagem de portugueses a viver na Europa passou de 53%, em 1990, para 66%, em 2017. A França continua a ser o país do com mais pessoas nascidos em Portugal: mais de 615 mil em 2014, último ano com informação disponível. Segue-se a Suíça (220 mil em 2017, diminui pela primeira vez desde 2000), os EUA (148 mil em 2014), o Canadá (143 mil em 2016), o Reino Unido (139 mil, em 2017), o Brasil (138 mil, em 2010) e a Alemanha (123 mil, em 2017) e a Espanha (100 mil, em 2016).

Ler mais

Exclusivos