Ponta do Pargo. Incêndio na Madeira aproxima-se de habitações

A intensidade do vento aumentou na última hora e meia, dificultando ainda mais o combate a este incêndio florestal.

O forte vento que se faz sentir na Corujeira, Ponta do Pargo, está a gerar momentos de desespero junto dos residentes dessa zona.

Segundo presenciou o Diário de Notícias Madeira no local, as chamas estão a descer em direção ao centro da Ponta do Pargo, circundando muitas habitações. A população viveu momentos de desespero, tentando evitar que as chamas consumam os seus bens. Há vários palheiros que já arderam e alguns populares estão a optar por abrigar os animais nos quintais das habitações.

Os acessos à localidade encontram-se muito condicionados, havendo casos em que as autoridades não deixam carros entrar por questões de segurança. Os moradores estão a ser aconselhados a abandonar as suas habitações, nomeadamente os mais idosos.

O presidente da Junta de Freguesia da Ponta do Pargo, Manuel Costa, afirmou ao Diário de Notícias da Madeira que as chamas estão "incontroláveis".

As chamas que deflagraram na madrugada de segunda-feira estão a ser combatidas pelos Bombeiros Voluntários da Calheta, Voluntários Madeirenses, Voluntários de Câmara de Lobos, Voluntários de São Vicente e Porto Moniz e Sapadores do Funchal. No total, 18 viaturas estão no teatro de operações e 47 operacionais. Uma viatura de combate a incêndios dos Bombeiros Municipais de Machico, com três operacionais, está a caminho da Ponta do Pargo para auxiliar no combate às chamas.

A estes meios juntam-se ainda meios do Corpo da Polícia Florestal, do Comando Regional de Operações de Socorro e do Serviço Municipal de Proteção Civil da Calheta.

A intensidade do vento aumentou na última hora e meia, dificultando ainda mais o combate a este incêndio florestal.

As chamas que lavram na Ponta do Pargo, desde a madrugada de segunda-feira, aproximam-se de habitações localizadas na zona da Corujeira.

Duas viaturas dos Bombeiros Voluntários Madeirenses, que reforçam os meios que os Bombeiros Voluntários da Calheta enviaram para o local, estão a tentar proteger as casas.

Segundo apurou o jornal no teatro de operações, a principal preocupação dos operacionais, neste momento, é evitar que o fogo passe para a zona da Fajã da Ovelha, o que iria dificultar muito o combate às chamas. O vento intenso que se faz sentir na Ponta do Pargo também não tem ajudado os bombeiros.

Na Corujeira existe uma zona habitacional e um empreendimento turístico, que começam a ser salvaguardados pelos residentes, que estão a limpar e a molhar os terrenos, a fim de evitar o aproximar do fogo.

O incêndio deflagrou inicialmente no sítio da Lombada Velha, às 05.16 desta segunda-feira, e desde então têm ocorrido pequenos focos em várias localidades da freguesia.

O tempo quente e seco que se faz sentir na Madeira, com as temperaturas a ultrapassar os 25 graus, ocasionou já vários focos de incêndios rurais um pouco por toda a ilha.

Permanência de meio aéreo na Madeira em equação

O Governo da Madeira vai "equacionar" a permanência do helicóptero de combate a fogos florestais durante todo o ano na região e não apenas nos meses de verão, como aconteceu nos últimos dois anos, disse esta terça-feira o chefe do executivo.

"A nossa ideia é, no futuro, termos o helicóptero todo o ano e era bom que alguém nos ajudasse no pagamento", afirmou Miguel Albuquerque, na freguesia da Ponta do Pargo, zona oeste da Madeira, onde continua ativo um incêndio florestal que deflagrou na madrugada de segunda-feira e lavra agora em várias frentes.

O meio aéreo que operou na Madeira em 2018 e 2019, em quatro meses no período de verão, foi totalmente pago pelo Orçamento da Região Autónoma, no valor de 1,2 milhões de euros por ano, situação que deverá manter-se também em 2020.

O presidente do Governo Regional deslocou-se, hoje ao final da tarde, ao local dos incêndios, numa altura em que o combate às chamas envolvia já 47 operacionais de seis corporações de bombeiros e 18 meios terrestres, segundo indicação do Serviço de Proteção Civil da Madeira. "O incêndio ainda não está totalmente debelado e tivemos aqui condições muito complicadas, com uma humidade abaixo dos 30% e as temperaturas atingiram, nesta zona, 28 graus e ventos na ordem dos 40 a 50 km/hora", disse Miguel Albuquerque, em conferência de imprensa no posto de comando da Proteção Civil, localizado no sítio do Amparo.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG