"Foi um milagre não morrer ninguém". Autocarro sem condutor despista-se e abalroa vários carros

Não há vítimas. Testemunha conta que viatura subiu o passeio e destruiu, pelo menos, dez viaturas. A Transportes Sul do Tejo já instaurou um inquérito interno para apurar a causa do acidente.

"Foi um milagre não ter morrido ninguém", diz ao DN Carlos Medeiros. Estava em casa, numa das torres de um prédio da Avenida São Francisco Xavier, em Setúbal, quando vê um autocarro da empresa TST a avançar descontrolado pela rua abalroando carros e falhando por "apenas 50 metros" as pessoas que tomavam café na esplanada. O candidato de Setúbal do partido Aliança às eleições legislativas só depois percebeu que a viatura seguia sem condutor. "Isto é mesmo o milagre do dia", escreveu o político na sua página de Facebook, onde partilhou várias imagens do acidente.

"O autocarro estava avariado desde as oito da manhã e até estava assinalada a avaria, mas os travões devem ter-se estragado e começou a andar sozinho" conta, ainda chocado com o que testemunhou, poucos minutos passavam das nove da manhã.

"O autocarro começou a descer devagarinho a rua e depois ganhou velocidade. Entrou no passeio a 50 metros de uma esplanada e depois acabou por sair de novo para a estrada. Abalroou pelo menos dez carros - estou a contá-los agora", conta Carlos Medeiros, que dá crédito ainda ao "herói o dia" - um automobilista que se apercebeu do que aconteceu e seguiu a frente do autocarro a buzinar para desviar o trânsito e impedir que o autocarro atingisse alguém.

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro confirmou à Lusa que não há vítimas, apenas danos materiais.

O alerta para o acidente foi dado às 09.24. "As ambulâncias já desmobilizaram, uma vez que não há vítimas, encontrando-se ainda no local os bombeiros de Setúbal", indicou a fonte.

Às 10.00 estavam no local 18 operacionais, com o apoio de oito viaturas.

Empresa já abriu inquérito para apurar causas do acidente

Ao início da tarde, a Transportes Sul do Tejo (TST) confirmou à Lusa que o autocarro estava imobilizado e identificado como "avariado", adiantando que foi instaurado um inquérito interno para apurar a causa do acidente.

A TST "abriu um inquérito interno e está, simultaneamente, a colaborar com as autoridades competentes na realização das investigações, para apurar as causas deste acidente", informou a empresa, referindo que estão a ser reunidas todas as informações sobre o caso.

"O autocarro, que ao início da manhã realizava a carreira 608, no percurso Viso -- CHESetúbal, teve uma avaria às 07:42. O veículo ficou imobilizado, vazio, desligado e com as portas fechadas na paragem localizada junto à farmácia do Viso, estando identificado no exterior como avariado", avançou a TST, acrescentando que, cerca de um hora e 40 minutos depois, às 09:21, o autocarro desceu a referida avenida, "causando danos a oito veículos e embatendo num edifício".

Um das testemunhas do acidente, Nuno Rodrigues, relatou à Lusa que "o autocarro estava parado desde as 07:30 da manhã, presumivelmente, devido a uma avaria, porque tinha o triângulo de sinalização atrás", e, "por razões desconhecidas", começou a deslizar pela Avenida São Francisco Xavier.

Nuno Rodrigues referiu ainda que o autocarro "embateu inicialmente num separador da avenida e, depois, foi embatendo, sucessivamente, em diversas viaturas e num muro, acabando por se imobilizar ao embater na entrada de um prédio de nove pisos".

A Avenida São Francisco Xavier é bastante íngreme mas, apesar de o autocarro ter percorrido centenas de metros desgovernado, sem condutor e sem passageiros, provocou apenas danos materiais, sem registar vítimas.

Como constatou a Lusa no local do acidente, pelas 12:40, os funcionários da empresa TST, apoiados por elementos da Câmara Municipal de Setúbal, estavam a trabalhar na remoção do autocarro e na limpeza da via, assim como na recolha de elementos sobre as razões do acidente.

Apesar de se registarem constrangimentos, o trânsito na Avenida São Francisco Xavier circula nos dois sentidos.

(Notícia atualizada às 14:50 com informações da TST e declarações da testemunha Nuno Rodrigues).

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