Erro do Ministério Público adia julgamento de Carrilho por violência doméstica

Alegada ameaça de morte do ex-ministro a Bárbara Guimarães não aconteceu a 14 de setembro, mas um mês depois. O Ministério Público assumiu o erro e a sessão desta sexta-feira foi adiada uma semana.

O antigo ministro da Cultura foi absolvido há mais de um ano das acusações de violência doméstica contra a ex-mulher Bárbara Guimarães, mas o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu reabrir o processo. Esta sexta-feira, devia acontecer a última sessão de julgamento antes da leitura da sentença. Não aconteceu, porque o Ministério Público se enganou.

Na reabertura deste processo estava em causa uma alegada ameaça de morte que teria ocorrido no dia 14 de setembro de 2013, segundo o Ministério Público, para o qual a defesa de Manuel Maria Carrilho chamou o irmão e o sobrinho do arguido.

Depois da última sessão, a 30 de janeiro, o advogado que representa Bárbara Guimarães, José António Pereira da Silva, verificou os documentos do processo e apercebeu-se de um lapso do Ministério Público, que viria a ser assumido perante os advogados. Afinal, o momento em causa terá acontecido a 14 de outubro de 2013. Nesse dia, Carrilho terá alegadamente ameaçado de morte a apresentadora.

A sessão foi adiada para 1 de março, às 14.00. Ao DN, o advogado de Bárbara Guimarães diz não acreditar que venha a acontecer. "O senhor Carrilho vai inventar outra desculpa".

Carrilho acusado de violência doméstica

É mais um episódio da batalha jurídica entre o casal. Já lá vai mais de um ano desde que Manuel Maria Carrilho foi absolvido dos crimes de violência doméstica sobre Bárbara Guimarães, ex-mulher. O antigo ministro da Cultura voltou ao banco de réus no final de janeiro, desta vez julgado por um episódio em que terá ameaçado a vida da apresentadora de televisão

"Estás a ver estas escadas? Atiro-te e vamos todos ao teu funeral" - é a frase que a tese da acusação diz que o arguido terá pronunciado sobre a ex-mulher e que levou à reabertura do processo. Tal terá acontecido em Lisboa a 14 de setembro de 2013. Já a defesa de Carrilho alega que as ameaças nunca tiveram lugar, até porque no dia em questão o então casal estava no casamento da sua sobrinha, Maria Meneses Carrilho, em Viseu, que começou às 16:00.

Na anterior audiência, no final de janeiro, o advogado do arguido levou a tribunal dois elementos da sua família para serem inquiridos pelo coletivo de juízes, como testemunhas do que se terá passado nesse dia: o irmão, António Carrilho, e o sobrinho, Bernardo Carrilho. "Na hora em que me vim embora o Manuel já tinha saído com os filhos, bastante mais cedo. A Bárbara ficou", disse o primeiro em tribunal. Bernardo Carrilho corroborou a versão e disse presumir até que a apresentadora de televisão tenha ficado a pernoitar numa quinta da qual o casal era dono, pelo que alegadamente não terá existido contacto entre eles depois da festa. Mas a acusação ainda não foi clara relativamente à hora em que os factos terão ocorrido, se antes ou depois da cerimónia.

O advogado de acusação, José António Pereira da Silva, disse não querer "perder esta oportunidade" para finalmente fechar os capítulos judiciais entre o ex-casal, que já se arrastam há anos. Até para dar algum descanso a Bárbara Guimarães, que neste momento luta contra um cancro, como tornou público recentemente.

Mas Manuel Maria Carrilho está seguro que o resultado deste julgamento jogue a seu favor. "Sempre estive confiante", frisou.

A sentença será lida já no próximo dia 8 de março.

Este é apenas mais um dos processos que envolve Carrilho e Bárbara Guimarães. Noutro caso, julgado em tribunal coletivo e relativo a factos já após a separação do casal, o tribunal condenou o antigo ministro a quatro anos e seis meses de prisão com pena suspensa por agressão, injúrias, violência doméstica, entre outros crimes cometidos contra a apresentadora de TV em 2014. Carrilho ficou ainda obrigado a pagar-lhe 50 mil euros de indemnização, a frequentar um curso para agressores e ainda proibido de a contactar. Ainda está em fase de recurso.

O arguido foi também condenado a oito meses de prisão por ofensa à integridade física qualificada e injúria agravada contra o pedopsiquiatra Pedro Strecht. A pena foi convertida em multa de 2400 euros. Os crimes ocorreram no intervalo de uma das audiências do processo de proteção e regulação do poder parental dos filhos em comum com Bárbara Guimarães, por não ter gostado do relatório apresentado pelo pedopsiquiatra em tribunal.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG