Campanha alerta para a importância do uso de capacete em trotinetas

Desde o início deste ano já morreram 16 utilizadores de trotinetas. Campanha visa sensibilizar a população.

O Automóvel Club de Portugal lançou esta quarta-feira uma campanha que alerta para a necessidade de os utilizadores de trotinetas e bicicletas elétricas usarem capacete como medida primária para a sua segurança.

Carlos Barbosa, presidente do ACP, chamou a atenção para o perigo de não se usar capacete, referindo que desde o início do ano já morreram 16 utilizadores de trotinetas. Por outro lado, alertou, os dados da Organização Mundial de Saúde são inequívocos ao apontar que o uso de capacete pode reduzir até 42% o risco de lesões fatais e baixar até 69% as hipóteses de lesões na cabeça. "As trotinetas não são um brinquedo, são um meio de mobilidade suave que já existe em várias cidades e que não está regulamentado", disse, adiantando que esta sensibilização destina-se também às empresas que alugam os equipamentos e defendendo que deveriam ter também capacetes para alugar.

Segundo o presidente do ACP, nos países civilizados as pessoas usam capacete por uma questão de precaução. Em Portugal, explicou, os utilizadores encaram estes equipamentos como um brinquedo e a Polícia de Segurança Pública "tem as mãos atadas" para fazer cumprir a lei porque existe uma instrução técnica da Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária (ANSR) que torna o seu uso opcional.

O Código da Estrada obrigava ao uso do capacete em velocípedes com motor auxiliar, no caso, bicicletas e trotinetas elétricas. Contudo, uma instrução técnica da Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária (ANSR) em dezembro de 2018 tornou opcional o uso de capacete.

Carlos Barbosa classifica de ridícula a decisão da ANSR por se basear numa lei de 1940 quando não era necessário o uso de capacete. "A PSP está de mãos atadas. É lamentável que não possa cumprir a sua missão que é proteger os cidadãos", frisou.

A campanha nacional "Não sejas Alberto, usa capacete!", lançada esta quarta-feira em Lisboa, tem como parceiros a Polícia de Segurança Pública assim como empresas de trotinetas a operar em Portugal. Segundo o sub-intendente Virgílio Sá, da divisão de trânsito da PSP, o facto de as pessoas encararem as trotinetas como um brinquedo leva a que cometam algumas irregularidades, tendo sido ido detetadas várias infrações, entre as quais a condução sob influencia de álcool e a circulação pelo passeio.

A PSP alerta assim para o cumprimento das regras de trânsito assim para a necessidade do uso do capacete como medida primária de segurança. No vídeo promocional da campanha um cientista usa duas melancias para exemplificar o impacto de um acidente com e sem capacete.

A uma das melancias o cientista chama de Alberto (a que está sem capacete) e à outra de Inácio (com capacete). Ambas são atiradas contra uma parede verificando-se que "o Alberto" fica esmagado e "o Inácio" mantêm-se intacto.

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