Cada doente de covid-19 transmite a infeção a outra pessoa. Risco subiu

Em média, a transmissão de contágio ronda, este domingo, os 1,04. Antes era de 0,95, indicou a ministra da Saúde, que mencionou ainda que 30% das infeções acontecem em casa, através do contacto com familiares.

Uma pessoa infetada com o novo coronavírus transmite a doença a outra. Em Portugal, a média da transmissão de contágio é de 1,04, informou a ministra da Saúde, Marta Temido, em conferência de imprensa, este domingo, a partir de dados recolhidos entre 16 e 20 de abril. Risco subiu, o que levou a governante a insistir na necessidade de manter os cuidados sanitários que impedem a progressão da pandemia.

"Isto mostra-nos que o máximo da incidência da infeção já terá ocorrido e que o número médio de casos secundários está um pouco acima de um", especificou a responsável pela pasta da Saúde, ​​​​​​​reforçando que, como já tinha mencionado anteriormente, o pico da doença continua a ser estimado como tendo ocorrido entre 23 e 25 de março.

No entanto, este indicador já foi menor. Da última vez que os dados sobre a quantidade de pessoas que um doente infeta foram divulgados, pelas autoridades de saúde, cada doente contaminava, em média 0,95 pessoas. "Este risco de transmissão ao longo do tempo subiu um bocadinho em algumas regiões", admite a governante.

Lisboa e Vale do Tejo é a região onde o Rt (que traduz o número médio de casos que um doente pode provocar num determinado espaço de tempo) apresenta um valor mais elevado: 1,2. Segue-se o centro (1) e depois o norte (0,99).

"O risco de transmissão no tempo mostra que temos situações que não são iguais em diferentes distritos do país e mostram que poderemos precisar de medidas específicas como tivemos num passado recente", disse Marta Temido, insistindo que estes números mostram a necessidade de continuar a adotar um postura preventiva no combate ao novo coronavírus. "Tenhamos paciência, disciplina e a capacidade de nos adaptarmos ao que é viver com a infeção", pediu.

Já quanto ao R0 - que aponta para o número médio de contágios totais causados por uma pessoa - está avaliado em 2,04, "podendo o verdadeiro valor situar-se entre 1,97 e 2,19", segundo a governante. Este indicador é utilizado pelos países como uma das principais formas de medir a aplicação ou redução de medidas de contenção. Na Noruega, por exemplo, a suavizarão do isolamento foi ditada por este número, que na semana passada, se encontrava nos 0,7.

Sobre isto, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, já disse que "não há números milagrosos" e que cada país segue os seus critérios. Em Portugal, que tem este domingo mais de 900 mortes e 23 864 casos de covid-19, este indicador é acompanhado, sem depender dele o regresso faseado "à normalidade".

Maioria dos casos surgem em casa

É no domicílio, em contacto com um infetado, que a maioria (cerca de 30%) dos novos casos surgem. 25% acontecem em instituições coletivas, como lares, hósteis ou empresas e 9% referem-se ao contacto com amigos e familiares que não habitam na mesmas casa, revelou a ministra da Saúde, a partir de uma investigação das autoridades que envolveu 2 958 pessoas, entre 18 e 24 de abril.

A análise mostra "que o esforço que tem sido desenvolvido tem que ser continuado", sendo necessário "continuar a garantir as medidas" que têm sido aplicadas, defendeu.

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