Cabrita chamou ao ministério 'generais' da PSP

O ministro da Administração Interna deverá anunciar esta semana o nome do novo chefe máximo da PSP. Esta terça-feira chamou ao seu gabinete cinco oficiais, entre os quais os nomes que podem suceder ao atual diretor-nacional, Luís Peça Farinha

Cinco superintendentes-chefes da PSP foram esta terça-feira chamados ao gabinete do ministro da Administração Interna, para serem auscultados no âmbito do processo de substituição do atual diretor nacional desta força de segurança, Luís Peça Farinha, cuja comissão de serviço já terminou em novembro passado. Entre estes oficiais, que equivalem a generais na hierarquia militar, pode estar o futuro chefe máximo que vai comandar os destinos da PSP.

Os oficiais de topo que reuniram, separadamente, com Cabrita, foram Manuel Magina da Silva diretor nacional adjunto (DNA) para as Operações, José Torres, DNA para a Logística e Finanças, Abílio Pinto Vieira, o DNA dos Recursos Humanos, Paulo Lucas, comandante da PSP do Porto e José Barros Correia, diretor dos Serviços Sociais desta força de segurança. Estes dois últimos são os nomes mais falados para subirem ao topo da hierarquia.

Paulo Lucas, 53 anos, é o mais desejado dentro da PSP, de acordo com várias fontes ouvidas pelo DN. É considerado um líder nato, motivador das suas equipas e solidário com os agentes, como se viu no caso da publicação das fotos da detenção de uns suspeitos foragidos. A sua atitude, apesar de agradar internamente, não tem tido sucesso com o Ministro. "Não há empatia", admite uma fonte que acompanha o processo. Este facto poderá comprometer a sua nomeação, embora esteja em aberto a sua transferência do Porto para a liderança do Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS), cujo comandante, Jorge Maurício, vai ocupar um cargo na Interpol. No entanto, de acordo com fontes que estão a acompanhar estas audições, Lucas terá dito a Cabrita que não estava disponível para ocupar o mais alto cargo na PSP.

Paulo Lucas, 53 anos, é o mais desejado dentro da PSP, de acordo com várias fontes ouvidas pelo DN. É considerado um líder nato, motivador das suas equipas e solidário com os agentes

Paulo Lucas já foi número dois (como DNA para as Operações) do ex-diretor nacional Paulo Gomes e o seu nome chegou a ser falado nessa altura para subir quando este se demitiu em 2013, na sequência da invasão das escadarias do parlamento., De entre os vários cargos que desempenhou, destaca -se ainda o de secretário-geral adjunto do Sistema de Segurança Interna (2009 a 2012), esteve à cabeça do Comando Regional da Madeira (2008 a 2009) e foi oficial de ligação do Ministério da Administração Interna (MAI) junto da Embaixada de Portugal em Maputo (2015 a 2018).

É licenciado em Ciências Policiais pelo Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI), possuindo ainda uma pós -graduação em gestão civil de crises pelo mesmo Instituto.

Menos securitarismo

Barros Correia, também com 53 anos - tal como Paulo Lucas é do 1º curso da 'Academia' da Polícia - será mais fácil de agradar a

Cabrita e ao próprio primeiro-ministro - que terá a última palavra. É igualmente respeitado internamente e os cargos que desempenhou deram-lhe experiência em matérias próximas da política de segurança do governo - menos securitarismo e mais prevenção e proximidade. Este 'general' coordenou o Projeto -piloto do Programa Integrado de Policiamento de Proximidade.

É também licenciado em Ciências Policiais pelo ISCPSI e concluiu uma Pós -graduação em Relações Internacionais pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Antes de ser nomeado para os Serviços Sociais, foi Oficial de Ligação do MAI na Embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe (desde 2014), Comandante Regional dos Açores (de 2008 a 2014) e Diretor do Departamento de Operações (de 2005 a 2008). Coordenou ainda a presidência do Grupo de Cooperação Policial da UE, durante a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, no segundo semestre de 2007.

Quando regressou de S.Tomé, chegou a ser falado para o comando de Lisboa, mas o seu nome foi 'vetado' pela direção da PSP e acabou por estar mais de um mês à espera de lugar, o que causou algum mal-estar interno. A sua nomeação para os Serviços Sociais, embora um cargo da maior importância só destinado aos 'generais' da PSP, foi vista como um afastamento do núcleo do poder da direção nacional.

Um cenário de compromisso, que poderia unir o apoio de toda a PSP, da base aos oficiais, e, por outro lado, merecer o apoio de Cabrita e do primeiro-ministro, seria a nomeação de Barros Correia para diretor nacional e de Lucas para DNA ou para o COMETLIS.

Ao que o DN apurou junto a fontes da PSP que estão a acompanhar este processo, além de Lucas, também José Torres, que já dirigiu os Serviços Sociais e o Departamento de Informações, mostrou-se indisponível para ser diretor nacional. Barros Correia, Magina da Silva e Abílio Correia assumiram-se como 'candidatos', e o ministro colocou-lhes várias questões para saber o que pensavam de questões estratégicas e prioridades para aquela força de segurança.. Um cenário de compromisso, que poderia unir o apoio de toda a PSP, da base aos oficiais, e, por outro lado, merecer o apoio de Cabrita e do primeiro-ministro, seria a nomeação de Barros Correia para diretor nacional e de Lucas para DNA ou para o COMETLIS.

Seja qual for o líder a comandar os destinos desta polícia, terá uma missão bastante espinhosa. Com sucessivas reorganizações e reformas estruturais a serem proteladas, a PSP está a atravessar uma crise sem precedentes de falta de efetivos (tem pouco mais de 20 mil agentes, chefes e oficiais), recursos e instalações degradadas e muita desmotivação. A tudo isto junta-se uma onda de forte contestação híbrida, que deixou de ser protagonizada apenas pelos sindicatos para ganhar força em organizações de cariz anónimo, como o 'Movimento Zero', cujas ligações à extrema-direita têm sido registadas, sem que a direção da PSP assuma uma posição.

(Atualizado às 23h com novas informações sobre as reuniões com os oficiais)

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