Albergaria-a-Velha: Após viagem dos pais a Itália, duas crianças não foram à escola por precaução

As duas crianças, dois irmãos, e os pais não apresentam sintomas, mas pais acataram recomendação da direção do Colégio para que os filhos fiquem em casa

Duas crianças do Colégio de Albergaria, em Albergaria-a-Velha, não foram esta quinta-feira à escola, como medida de precaução, uma vez que os pais estiveram recentemente em Itália, o país da Europa com mais casos de infetados com o novo coronavírus, numa viagem de trabalho.

Embora nem os pais nem as crianças apresentem sintomas, os irmãos ficaram em casa, numa decisão tomada em conjunto pelos pais e pelo diretor do estabelecimento de ensino, "face ao burburinho dos pais das outras crianças".

"As crianças não foram a Itália. [Nós, os pais] fomos a Itália em trabalho e regressámos na segunda-feira. Nunca estivemos nas áreas afetadas e tomámos as devidas precauções durante as viagens. Fomos apanhados um pouco de surpresa, porque quando viajámos a situação não estava como está neste momento, mas levámos gel e máscaras. Quando chegámos a casa medimos a temperatura, fomos a uma consulta e não temos qualquer tipo de sintomas", explicou ao DN a mãe das duas crianças.

"Face ao burburinho dos pais das outras crianças, colaborámos com o colégio. Foi-nos solicitado para que as crianças ficassem em casa, até para acalmar as outras pessoas que estavam um bocado receosas. Foi uma decisão nossa, a pedido da direção do colégio", acrescentou a progenitora."Por uma questão de prevenção ficaram em casa, mas não há nenhum indício, não há nada. Foi uma decisão dos pais", frisa o diretor do colégio, Pedro Marques.

Em Itália, refira-se, o número de casos positivos chegou esta quinta-feira aos 528 e o número de mortes já é de 14.

O diretor do Colégio de Albergaria falou com os pais e explica que não há manifestações de sintomas, mas por uma questão de prudência e prevenção os pais acharam que seria melhor os filhos ficarem em casa. Não sabe quando é que os dois irmãos regressam à escola, mas conta que está em contacto diário com os pais, uma família que no passado fim de semana regressou de Itália. "Esta manhã não tinham nenhum sintoma", diz Pedro Marques que compreende a posição destes pais. "É uma decisão normal de prudência".

A mãe das crianças em quarentena diz que tem estado "em contacto com a direção do colégio" e que "amanhã [sexta-feira] os pais vão ser esclarecidos pela delegada de saúde numa palestra".

Tal como os outros estabelecimentos de ensino, o Colégio de Albergaria tem recebido recomendações da Direção-Geral de Saúde (DGS) relativamente a comportamentos a ter e a evitar no âmbito da epidemia do novo coronavírus. "Temos recebido os emails da delegada de saúde, o Ministério também tem difundido emails institucionais sobre essa matéria para todas as escolas. São emails gerais sobre comportamentos que toda a população deve ter", refere Pedro Marques.

Uma das recomendações que os estabelecimentos de ensino têm recebido tem a ver com o facto de se "ponderar muito bem as viagens ao estrangeiro" das escolas.

António Costa diz que se devem evitar as viagens de finalistas

É exatamente "ponderação" que a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE) aconselha na realização de viagens de estudo para fora do país.

A DGESTE, em comunicado divulgado online, refere que "face às notícias sobre a propagação do vírus Covid-19 e apesar de não haver ainda por parte das autoridades de saúde restrições de deslocação para fora do país, a DGESTE aconselha a ponderação sobre a oportunidade e conveniência de se realizarem visitas de estudo e outras deslocações ao estrangeiro, em particular a países ou a zonas com maior incidência de casos de infeção".

O primeiro-ministro, António Costa, também se referiu aos estabelecimentos de ensino esta quinta-feira ao afirmar que uma vez que não há, até ao momento, nenhum caso confirmado em Portugal de Covid-19, "não se justifica, por exemplo, estar a encerrar escolas ou qualquer medida do género".

Ainda assim, o chefe do Governo aconselhou que "talvez fosse recomendável evitar-se viagens de finalistas na Páscoa para países onde há casos conhecidos de infeção ou para fora de Portugal". Uma recomendação que já tinha sido feita pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

"Ontem [quarta-feira], já houve uma recomendação do senhor ministro da Educação, no sentido de, nas férias da Páscoa, que é um período em que muitas vezes há viagens de finalistas, talvez fosse recomendável evitar-se viagens de finalistas, sobretudo para zonas onde já sabemos que já se verificou risco e também viagens de finalistas para o estrangeiro, porque pode aumentar as situações de contaminação e risco", afirmou António Costa.

O primeiro-ministro afirmou ainda que "com o grau de expansão que o vírus tem tido, mais tarde ou mais cedo algum caso positivo vai verificar-se" em Portugal, mas sublinhou que é necessário evitar alarmismo.

O que devem fazer as pessoas que vêm de áreas afetadas pela epidemia

Aliás, a DGS tem produzido e feito a divulgação de materiais informativos sobre a epidemia para diferentes públicos, incluindo aeroportos, portos, unidades de saúde, escolas e população em geral. Há, aliás, no site um vídeo explicativo sobre como se propaga o coronavírus e quais são as medidas de proteção a tomar.

Esta quinta-feira, a DGS publicou uma nota na sua página de internet, na qual sublinha que não há restrições para quem regresse de área com transmissão comunitária ativa do novo coronavírus como o norte de Itália, China, Coreia do Sul, Singapura, Japão ou Irão.

No entanto, a DGS aconselha que durante 14 dias essas pessoas estejam atentas ao aparecimento de febre, tosse ou dificuldade respiratória, devendo medir a temperatura corporal duas vezes por dia e registar os valores.

Aconselha também a verificarem se alguma das pessoas com quem convivem de perto, desenvolvem sintomas (febre, tosse ou dificuldade respiratória) e caso apareça algum dos sintomas referidos (no próprio ou nos seus conviventes), não devem deslocar-se de imediato aos serviços de saúde.

A DGS recomenda também as pessoas a ligarem para o número da Linha Saúde 24 (800 24 24 24) e a seguir as orientações indicadas.

"Lavar frequentemente as mãos, com água e sabão, esfregando-as bem durante pelo menos 20 segundos e reforçar a lavagem das mãos antes e após a preparação de alimentos ou as refeições, após o uso da casa de banho e sempre que as mãos estejam sujas", são outras recomendações da DGS.

As pessoas devem também, segundo a DGS, usar em alternativa, para higiene das mãos, uma solução à base de álcool, usar lenços de papel (de utilização única) para se assoar, deitar os lenços usados num caixote do lixo e lavar as mãos de seguida e tossir ou espirrar para o braço com o cotovelo fletido, e não para as mãos.

A DGS recomenda ainda evitar tocar nos olhos, no nariz e na boca com as mãos sujas ou contaminadas com secreções respiratórias, permanecer em locais fechados e muito frequentados nos 14 dias após o regresso e evitar o contacto físico com outras pessoas.

O balanço provisório da epidemia do coronavírus Covid-19 é de 2800 mortos e mais de 82 mil pessoas infetadas, de acordo com dados reportados por 48 países e territórios.

Das pessoas infetadas, mais de 33 mil recuperaram.

Além de 2744 mortos na China, onde o surto começou no final do ano passado, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão nos últimos dias.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) registou 25 casos suspeitos de infeção, sete dos quais ainda estavam em estudo na quarta-feira à noite.

Os restantes 18 casos suspeitos não se confirmaram, após testes negativos.

No seu primeiro boletim diário sobre a epidemia, divulgado na quarta-feira, a DGS indicou que, "de acordo com a informação atual, o risco para a saúde pública em Portugal é considerado moderado a elevado".

O único caso conhecido de um português infetado pelo novo vírus é o de um tripulante de um navio de cruzeiros que foi internado num hospital da cidade japonesa de Okazaki, situada a cerca de 300 quilómetros a sudoeste de Tóquio.

Com Lusa.

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