Agente da PSP comprou Audi com tráfico de armas da polícia

O MP acusou 12 pessoas pelo furto de 55 pistolas Glock do armeiro da PSP, entre os quais um agente principal que entregou as armas aos dois principais traficantes do assalto a Tancos

O agente principal Luís Gaiba terá recebido pelo menos sete mil euros da venda de pistolas Glock que desviou da PSP. Este polícia está em prisão preventiva e foi esta semana acusado de ter desviado 55 destas pistolas do armeiro da Direção Nacional da PSP, onde era o responsável.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), conhecida esta semana, dias depois de ter recebido o dinheiro - entregue à sua mulher (também acusada) pelo traficante António Laranjinha (preso no processo de Tancos) - "comprou no OLX um Audi A6 All Road, por 7000 euros - a 1 de maio de 2016", pago em dinheiro vivo ao proprietário.

Ao agente da PSP são imputados os crimes de de associação criminosa, tráfico e mediação de armas, branqueamento de capitais, detenção de arma proibida e peculato.

Segundo o MP, Luis Gaiba foi desviando as 55 armas, com a inscrição "Forças de Segurança", e respetivos carregadores, durante mais de um ano, entre 16 de dezembro de 2015 e 27 de janeiro de 2017. A PSP só detetou o furto quando, no final de janeiro de 2017, numa detenção de um traficante de droga no Porto, apreendeu na sua posse uma destas Glock.

Entre os 12 acusados estão também António Laranjinha e João Paulino, também implicados e acusados no processo do furto das armas dos paióis da base militar de Tancos.

Controlo deficiente

Tal como no processo de Tancos, onde a degradação e falta de controlo dos paióis levaram facilitaram o assalto, também neste caso, o agente da PSP apercebeu-se que o controlo das armas se encontrava fragilizado, que o seu registo não era atualizado e que, devido à dispersão das chaves de acesso às instalações, não havia qualquer tipo de registo de acesso ao armeiro.

As falhas de supervisão e controlo foram aproveitadas pelo acusado para furtar as armas e vendê-las em circuitos paralelos de tráfico de armas e droga.

Segundo a acusação do MP, Luís Gaiba arquitetou um plano em quatro etapas:

1- Denunciar as fragilidades para afastar futuras suspeitas - o que fez num e-mail para o diretor da DAG.

2- Determinar quais as pistolas Glock que não estavam distribuídas

3- Fazer contactos exteriores para escoar as armas

4- Faseadamente, subtrair as pistolas e entregá-las a intermediários que as colocariam no mercado negro de armas e drogas e obter o respetivo lucro.

Posteriormente, indica a acusação, iniciou contactos com um grupo de pessoas que pudessem colocar as armas no circuito ilícito de vendas de armas.

Luís Gaiba, juntamente com a sua mulher Hueysla Gaiba, António Laranjinha e João Paulino, ex-fuzileiro, formaram um grupo, ao qual aderiram também Mário Cardoso, Armando Barros e Manuel Neves.

O grupo, referem os procuradores, vendeu as armas a um conjunto de pessoas que eram acusadas de tráfico de droga em Portugal, Espanha e Reino Unido e em cujos processos judiciais foi possível ​​​​​​​apreender algumas das pistolas.

Nos contactos, via telemóvel, alguns dos elementos do referido grupo utilizou expressões como "papéis", "fotocópias", "papelões" e "guias de marcha", para disfarçar que estavam a falar das armas.

O despacho de acusação indica que, no total foram recuperadas oito das pistolas furtadas: 4 em Espanha e 4 em Portugal, em operações policiais relacionadas com tráfico de droga.

Quem são os 12 acusados?

1- Luís Gaiba, agente principal da PSP, natural de Abrantes - em prisão preventiva, residente em Mafra

2- Hueysla Gaiba dos Santos, mulher de Luís Gaiba, esteticista, natural do Brasil, residente em Mafra - Termo de Identidade e Residência (TIR)

3- António Laranjinha, manobrador de máquinas, natural de Cascais, residente em Almoster - TIR neste processo mas em Prisão Preventiva pelo caso de Tancos

4- Mário Cardoso, técnico de eletrónica, natural de Cascais, residente em S. Domingos de Rana - TIR

5- Armando Barros, desempregado, natural e residente em Almoster - TIR

6- João Paulino, empresário, natural de Coimbra, residente em Ansião - TIR e em Prisão Preventiva pelo processo de Tancos

7- Manuel das Neves, empresário, natural de Pombal, residente na Figueira da Foz

8- João Duarte, empregado de bar, natural de Lisboa, residente em Albufeira - TIR

9- Micoawa da Costa, desempregado, natural da Guiné-Bissau, residente em Queluz - TIR

10- João Teixeira, desempregado, natural de Mafamude, residente em Vila Nova de Gaia -TIR

11- Fernando Guimarães, barman, natural e residente em Albufeira - TIR. Fernando Guimarães chegou a ser constituído arguido no processo de Tancos, mas não foi acusado. É amigo de João Paulino.

12- Vítor Pereira, supervisor de hotelaria, natural e residente em Albufeira - Detido na prisão de Setúbal - TIR

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