Aeródromo de Vila Real encerrado por perigo de abatimento na pista

O Presidente da Câmara de Vila Real afirma que a resolução do problema vai obrigar a um investimento "muito avultado".

O aeródromo municipal de Vila Real está encerrado a aviões, a partir desta terça-feira e por tempo indeterminado, devido a questões de segurança relacionadas com o abatimento do piso, disse fonte da autarquia, podendo, no entanto, continuar a ser utilizado por helicópteros.

O presidente da Câmara de Vila Real esclareceu que foi detetado um "perigo de abatimento na pista" do aeródromo municipal, que determinou o encerramento "por tempo indeterminado" e implica um investimento "muito avultado". "Há a possibilidade de um abatimento na zona central da pista (...) Há uma linha de água que passa por baixo da pista, essa linha de água tem erodido os sedimentos que estão debaixo da pista, há um perigo de abatimento e, havendo esse perigo, não nos resta mais nada do que encerrar a pista por tempo indeterminado", explicou Rui Santos, em conferência de imprensa.

Este aeródromo municipal é a sede de dois aviões de combate a incêndios, afetos à Proteção Civil, e é, além de Viseu e de Cascais (distrito de Lisboa), uma das paragens da carreira aérea que liga Bragança e Portimão (no distrito de Faro). A decisão de encerramento tem implicações nas "normais operações aéreas", estando a Proteção Civil a estudar localizações alternativas para os aviões médios de combate a incêndios, estando em cima da mesa hipóteses como os aeródromos de Chaves ou Mirandela.

Questionado sobre se este encerramento pode comprometer o combate a incêndios a partir de Vila Real, Rui Santos disse ter a esperança que "tal não aconteça". "Como disse, os helicópteros podem operar, acresce que há aeródromos à volta, que suportarão o estacionamento de aviões e, caso seja necessário, agirão em conformidade", frisou.

Rui Santos esclareceu que foram feitos ensaios técnicos e uma avaliação por firmas independentes, que "comprovaram uma fragilidade do solo que sustenta o piso da pista devido à travessia transversal de uma linha de água em profundidade". O autarca referiu que esta linha de água, localizada a sete, oito metros de profundidade, "tem erodido o solo nessa área" e "está a comprometer a sua segurança". "Razão primeira e suficiente para procedermos ao seu encerramento preventivo", afirmou.

Acrescentou que a situação se deve "ao abatimento transversal de um setor central da pista, detetado já em julho de 2018 e entretanto reparado, reparação que se revelou insuficiente face aos novos abatimentos registados de junho deste ano e até hoje, e que não são já possíveis de solucionar com uma intervenção ligeira como a desenvolvida em 2018".

O resultado do relatório foi conhecido na segunda-feira e, segundo Rui Santos, o município "agiu de imediato". O presidente afirmou que a resolução do problema vai obrigar a um "investimento muito avultado", entre os "350 mil a 400 mil euros", o que implica a abertura de um concurso público, bem como o aval do Tribunal de Contas. "Sendo uma despesa avultada e não prevista no orçamento municipal, será necessário que o município procure, junto do Governo e das entidades estatais afetadas, uma solução financeira que permita a viabilização desta reparação no mais curto período de tempo possível", afirmou o presidente da Câmara.

O grupo Sevenair, que detém a companhia Aerovip, responsável pela ligação aérea entre Bragança e Vila Real, informou esta terça-feira, na sua página oficial, que o aeródromo de Vila Real vai estar encerrado a aviões até ao dia 15 de agosto "por motivos de inoperacionalidade".

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