Advogada de Rosa Grilo quer recorrer da prisão preventiva. "Acredito na inocência dos dois"

Tânia Reis diz que existem condições para requerer que a medida de coação seja alterada para prisão domiciliária. Rosa Grilo pediu para falar com o filho no sábado, ainda no interior do Tribunal de Vila Franca de Xira.

"Acredito na inocência dos meus clientes, ou nunca aceitaria defendê-los", disse ao DN Tânia Reis, a advogada de Rosa Grilo e António Joaquim, suspeitos de terem assassinado Luís Grilo em coautoria, como revelou a Polícia Judiciária na passada quinta-feira. Para já, vai impugnar a decisão da juíza Andreia Valadas, do Tribunal de Vila Franca de Xira, que decretou, neste sábado, a prisão preventiva dos alegados homicidas. A advogada é conhecida por alguns processos mediáticos relacionados com homicídios e tráfico de droga, tem escritório em Alverca do Ribatejo - onde Luís e Rosa Grilo se conheceram e onde trabalhavam - e disse que é advogada dos dois arguidos "há muitos anos".

Tânia Reis revelou que conhece a mulher de Luís Grilo "há 22 anos" e o seu alegado cúmplice no homicídio do engenheiro informático "há quatro", mas não revelou em que circunstâncias terá trabalhado para os dois no passado. A advogada disse que também conhecia Luís Grilo. Sobre a alegada relação amorosa entre os dois suspeitos não quis fazer comentários.

No seu entender, existem condições para "pedir a alteração da medida de coação para prisão domiciliária e o uso de pulseira eletrónica". A advogada não sabe se fará o pedido já nesta semana, uma vez que, segundo a lei, tem "30 dias para o fazer". As medidas de coação são revistas após três meses.

Apesar de ter chegado a admitir que a prisão seria o melhor para os seus clientes - "Era provável que aplicassem a medida de prisão preventiva num caso com este mediatismo, percebo que exista essa preocupação e percebo que tenha sido aplicada esta medida" -, Tânia Reis reconheceu que a decisão do tribunal surpreendeu pelo menos um dos suspeitos, no caso, António Joaquim.

Nenhum dos arguidos confessou o crime

"O senhor António está a encarar a decisão com grande espanto, a Rosa não tanto, mas não posso dizer porquê. A Rosa talvez estivesse à espera", disse a advogada sem adiantar mais pormenores. Ao DN, a advogada esclareceu a declaração enigmática: "Não está relacionado com acreditar na inocência de um e não na do outro, mas sim com os indícios que a Polícia Judiciária recolheu", explicou.

"Há indícios de que o local do crime foi a casa do casal", justificou. Por essa razão, seria provável que Rosa Grilo recebesse a medida de coação mais grave, a prisão preventiva. António Joaquim tinha esperança de que o tribunal decretasse, no máximo, a prisão domiciliária, o que acabou por não acontecer, mas a juíza deixou cair uma das acusações - posse de arma proibida - uma vez que a arma estava legalmente registada no nome do oficial de justiça.

Sobre a possibilidade de um eventual conflito na defesa simultânea dos dois suspeitos, a advogada garante que, "por ora, essa questão não se põe. Se vier a acontecer serei a primeira a pedir para deixar de os representar", afirmou, antes de reconhecer que este "é um processo de contornos complexos e de uma certa perigosidade".

Sobre o "perigo" a que se refere, Tânia Reis não se quis alongar. "Acredito que se fará justiça e que se irá descobrir a verdade", optou por responder.

Ao que tudo indica, e levando em conta as afirmações da advogada dos dois suspeitos da morte de Luís Grilo, nenhum dos dois confessou envolvimento no crime, apesar de a PJ ter revelado que o atleta foi assassinado no dia 15 de julho, um dia antes de a mulher ter comunicado o seu desaparecimento e mesmo após Rosa Grilo ter afirmado - em entrevista à SIC - que pai e filho não se cruzaram, em casa, no dia 16 de julho, "por 15 minutos". A polícia acredita que o engenheiro informático estava morto desde a manhã de domingo e que nunca saiu para um treino de bicicleta, como a mulher repetiu várias vezes até ao dia em que foi decretada a sua detenção.

Rosa Grilo está detida na cadeia de Tires, "provavelmente numa cela individual, por razões de segurança", admitiu Tânia Reis, que não fala com a sua cliente desde sábado, e António Joaquim ainda está à espera de ser transferido das instalações anexas à Polícia Judiciária para um estabelecimento prisional, mas a advogada adiantou que vai solicitar que o oficial de justiça seja colocado também numa cela individual, tendo em vista a segurança do arguido.

Sobre o estado de espírito dos dois, Tânia Reis diz que "estão angustiados. Não sabem o que vai acontecer", mas que estarão "mais preocupados com a família do que com eles mesmos". Rosa Grilo já terá falado com o filho pelo telemóvel. O telefonema aconteceu, segundo a advogada, ainda no sábado, nas instalações do Tribunal de Vila Franca de Xira, e terá sido a inspetora da PJ a fazer a ligação do seu próprio telemóvel. "A Rosa chorou, claro. Não sabe quando poderá ver o filho de novo", contou Tânia Reis ao DN.

Quem é a advogada de Rosa Grilo e António Joaquim?

Tânia Reis, de 40 anos, nasceu no hospital militar da Lapa, em Lisboa, mas vive desde a infância no concelho de Vila Franca de Xira, segundo uma entrevista que deu ao jornal regional O Mirante, em 2014. É filha e sobrinha de militares. Licenciou-se em Direito mas quando já era advogada chegou a concorrer para inspetora da Polícia Judiciária. Foi, entre outros processos mediáticos, advogada de defesa de Kelly Oliveira, a mulher de nacionalidade brasileira condenada, em agosto de 2013, a 24 anos de prisão pelo homicídio dos dois filhos - de 29 e de 12 meses. A mulher incendiou a casa com os menores no seu interior num cenário de vingança para com o companheiro. Na defesa, Tânia Reis alegou "o quadro de depressão pós-parto, a perturbação da personalidade e a sua situação de emigrante", que, segundo o Tribunal de Alenquer, "servem de atenuantes, mas não diminuem o seu grau de imputabilidade".

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