A dimensão das cheias no Mondego vista por satélite

A imagem captada pelos satélites da Agência Espacial Europeia mostra a zona que ficou alagada com a subida das águas do Mondego, na sequência dos efeitos do mau tempo decorrentes das depressões Elsa e Fabien. A dimensão das cheias também foi registada em vídeo pelos fuzileiros da Marinha.

O rio Mondego galgou as margens, dois diques colapsaram em Montemor-o-Velho e localidades foram evacuadas por precaução devido à subida das águas. A dimensão da zona alagada, a oeste de Coimbra, está bem visível na imagem registada esta segunda-feira pelos satélites da Agência Espacial Europeia (ESA), no âmbito do Copernicus, o serviço de gestão de emergência da União Europeia, e divulgada pela rede social Twiter.

A Autoridade Nacional de Emergência da Proteção Civil ativou este serviço de cartografia, que mostra o impacto da subida de caudal do rio Mondego, decorrente dos efeitos do mau tempo provocado pelas depressões Elsa e Fabien, que assolaram o país desde quarta-feira. Um serviço de mapeamento da União Europeia a que Portugal recorreu, por exemplo, nos incêndios de 2017.

O sistema de satélites do Copernicus é um serviço da Comissão Europeia que fornece informação para respostas de emergência em relação a diferentes tipos de desastres. Neste caso, este mapeamento revela o impacto das cheias do Mondego.

A imagem de satélite que foi partilhada no Twitter mostra a vasta zona alagada, a oeste de Coimbra, depois de o rio Mondego ter galgado as margens. O concelho de Montemor-o-Velho foi o mais afetado.

Foi mesmo necessário proceder à evacuação de várias localidades situadas nas margens do Mondego. As autoridades andaram de porta em porta a informar a população para o risco de cheias, depois de se saber que um dique tinha colapsado. No total, foram dois os diques que cederam à pressão das águas.

Mais de 300 pessoas tiveram de sair das suas casas nos concelhos de Soure, Coimbra e Montemor-o-Velho.

Fuzileiros recolhem primeiras imagens dos estragos em Montemor-o-Velho

Com recurso a drones, os Fuzileiros da Marinha já tinham registado, em vídeo, a dimensão das áreas afetadas pela subida de água do rio Mondego. A equipa de militares foi acionada no sábado, em apoio direto à Proteção Civil, para realizar "a missão de reconhecimento, mapeamento e avaliação das zonas afetadas junto a Montemor-o-Velho", refere o comunicado do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Na sequência da subida de águas do Mondego, os fuzileiros captaram ´"as primeiras imagens" da operação de avaliação de estragos em Montemor-o-Velho durante a manhã de domingo. No vídeo divulgado, é possível ver um dos diques do rio que "sofreu uma rotura", bem como a área que ficou afetada.

Além da recolha de imagens, foi também feito "um reconhecimento motorizado a Eireira" e "à sua área adjacente" por esta "força de fuzileiros", que tem "a capacidade de efetuar reconhecimento com drones e apoio com botes, em caso de isolamento e necessidade de evacuação das populações", lê-se no comunicado.

Diminuiu o risco de cheia no Mondego

A situação de cheia na bacia do Mondego começou a ter esta segunda-feira os primeiros sinais positivos de melhoria e diminuição do grau de risco, disse o comandante distrital de operações de socorro (CODIS) de Coimbra.

"Depois de uma luta desigual contra as forças da natureza nestes últimos dias, começámos a ter hoje os primeiros sinais positivos de melhoria", disse Carlos Luís Tavares aos jornalistas, numa conferência de imprensa realizada em Montemor-o-Velho.

O comandante operacional frisou que para a melhoria registada contribuiu a diminuição do caudal no leito central do rio Mondego.

O débito atual situa-se nos 646 metros cúbicos por segundo (m3/s) no Açude-Ponte de Coimbra, cerca de metade do valor indicativo de cheia, que é de 1.200 m3/s, e mais de três vezes inferior ao caudal registado no sábado, que ultrapassou o limite de segurança de 2.000 m3/s.

Para esta melhoria contribuíram as condições meteorológicas favoráveis e o facto de a barragem da Agueira estar a libertar água "nos caudais mínimos", de cerca de 400 m3/s.

Apesar dos "sinais claros de melhoria e diminuição do grau de risco" evidenciados por Carlos Luís Tavares, com "menos caudal e menos intensidade", o comandante operacional avisou que o risco de cheia continua".

Os efeitos do mau tempo, que se fazem sentir desde quarta-feira, já provocaram dois mortos e um desaparecido e deixaram 144 pessoas desalojadas e outras 352 deslocadas por precaução, registando-se mais de 11 600 ocorrências, na maioria inundações e quedas de árvores.

Com Lusa

Atualizado às 20:59

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