187 mortos e 8251 casos de covid-19 em Portugal. Morreram 27 em 24 horas

Foram registados mais 808 casos de infeção no último dia, segundo o boletim epidemiológico diário da Direção-Geral da Saúde, divulgado esta quarta-feira.

Em Portugal existem agora 8251 casos confirmados de covid-19 - mais 10,9% em relação a terça-feira - e 187 mortes, sendo que 27 óbitos foram registados nas últimas 24 horas (mais 16,9%). Os dados mais recentes da pandemia no nosso país foram divulgados esta quarta-feira (dia 1 de abril) no boletim epidemiológico da DGS.

O número de vítimas mortais representa uma taxa global de letalidade de 2,3% e acima dos 70 anos de 9,1%, disse o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, na conferência de imprensa desta terça-feira. Quanto à taxa de crescimento, António Lacerda Sales, refere que ainda é cedo para análises mais profundas sobre a evolução da curva portuguesa.

Sobre isto, o primeiro ministrou declarou hoje: "Os últimos dias dizem-nos que o ritmo de crescimento está menor, o que pode ser um bom sinal, mas este mês é perigosíssimo, em primeiro lugar porque há a Páscoa - um momento muito difícil para todos nós e temos de vivê-la este ano de uma forma radicalmente diferente daquela que estamos a viver", afirmou António Costa, no "Programa da Cristina", na SIC.

Entre os infetados com o novo coronavírus, 726 estão hospitalizados, dos quais 230 em unidades de cuidados intensivos. A DGS indica ainda que 4957 pessoas aguardam resultados das análises laboratoriais e mais de 20 mil estão em vigilância pelas autoridades de saúde, o que significa que recebem contactos regulares de profissionais por terem estado numa zona de risco ou por terem estado em contacto com alguém infetado.

Há 43 pessoas que recuperaram da doença, um número que se mantém há sete dias. O secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, explicou, na terça-feira, que isto acontece por se tratar de um "doença de convalescença lenta" e por ser mais difícil ainda dar altas a quem está internado em casa, até porque têm de ser obtidos dois testes de despistagem negativos.​​​​

A região mais afetada do país continua a ser o norte (4910 casos, 95 mortes). Seguem-se ​​​​​​Lisboa e Vale do Tejo (1998, 38 mortes), o centro (1043, 52 mortes), o Algarve (146, 2 mortes), o Alentejo (54), os Açores (52) e a Madeira (48).

Já os concelhos com mais casos no país são, por ordem: Lisboa (546), Porto (505), Vila Nova de Gaia (387), Gondomar (337), Maia (328) e Matosinhos (303).

"O grau de incerteza é grande"

Perante a taxa de crescimento de casos de infeção e de mortes registados no nosso país nos últimos dias, o secretário de Estado da Saúde referiu que "ainda é cedo para avaliar a tendência" e se "as medidas de restrição estão a resultar".

"O grau de incerteza é grande. Ainda é cedo. Estamos disponíveis para não abrandar estas medidas", que foram aplicadas no tempo certo, disse António Lacerda Sales.

O governante fez saber aos jornalistas que existem 1142 ventiladores, dos quais 525 nas unidades de cuidados intensivos, 480 nos blocos operatórios e 134 que podem ainda ser utilizados. "Nos próximos dias vamos duplicar essa capacidade, garantiu o secretário de Estado.

Sobre o número de portugueses que estarão infetados, mas que ainda não surgem nas contas da DGS, Graça Freitas afirmou, em resposta a pergunta do DN, que "há sempre um atraso no número de casos que está notificado. Só entram no radar do sistema de saúde quando procuram os profissionais de saúde. E só entram nas curvas pela data do início dos sintomas. Há de facto um atraso aqui em em todo o mundo. Há três momentos: a data dos sintomas, a data da infeção e a data em que chegam aos profissionais de saúde". Acrescentando que não há uma estimativa exata calculada para Portugal.

Diabéticos representam 9% dos mortos

Os doentes da diabetes são um grupo de risco, representando "mais de 9% das pessoas falecidas com covid-19", mas não têm mais probabilidades de ser infetados pelo novo coronavírus, alertou o presidente da Associação Protetora dos Diabéticos Portugueses (APDP), José Manuel Boavida, que também esteve na conferência de imprensa.

"Não há qualquer evidência que as pessoas com a diabetes sejam mais atreitas a ser infetadas pelo coronavírus", afirmou.

Também "não existe evidência de diferença entre os vários tipos de diabetes -- tipo I e II" e, se a doença estiver "bem compensada, o risco é o mesmo da população em geral", sublinhou o presidente da APDP.

Mas sendo este "grupo de maior risco, com um aumento de mortalidade", é preciso prevenir. José Manuel Boavida recomendou, por isso, algumas recomendações, tais como controlar a diabetes para se conseguir melhores prognósticos e valorizar a necessidade da proteção especial dos doentes crónicos.

Mais de 30 mil pessoas já morreram na Europa

A pandemia de covid-19 já matou mais de 30 mil pessoas na Europa, mais de dois terços em Itália e em Espanha, segundo um balanço da AFP às 07:00, a partir de dados oficiais.

Com um total de 30.063 mortes (para 458.601 casos), a Europa é o continente mais atingido pela pandemia de covid-19.

Itália é o país europeu mais afetado, seguida pela Espanha e França.

Segundo a última atualização das autoridades sanitárias, Espanha regista até esta quarta-feira 102.136 pessoas infetadas com o coronavírus, 7.719 nas últimas 24 horas e alcançou os 9.053 mortos, com um novo recorde de 864 no último dia.

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos). E acima de tudo: fique em casa.

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), as autoridades de saúde pede que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

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