Portugal registou apenas uma vítima mortal por covid-19 nas últimas 24 horas

O boletim da Direção-Geral da Saúde dá ainda conta de mais 270 novos casos de infeção por causa do novo coronavírus.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreu uma pessoa (na região do Norte), que teria entre 70 e 79 anos. É a primeira vez que este indicador revela um número tão baixo desde que a pandemia de covid-19 começou a provocar óbitos no país (a 17 de março). Foram também confirmados mais 270 casos de covid-19 (um aumento de 0,75% face ao dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira (12 de junho), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 36180 infetados, 22200 recuperados (mais 198) e 1505 vítimas mortais no país.

Ou seja, há, neste momento, 12 475 doentes portugueses ativos, a ser acompanhados pelas autoridades de saúde.

Tal como nas últimas três semanas, quase todos os novos casos registados têm residência na região de Lisboa e Vale do Tejo. Esta sexta-feira, significam 91% das infeções das últimas 24 horas "e deste 25% pertencem a cinco concelhos da área metropolitana de Lisboa", informou a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, durante a habitual conferência de imprensa, no ministério. Jamila Madeira acrescentou também que, esta manhã, o gabinete regional de intervenção para a supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo se reuniu para analisar, mais uma vez, a situação e definir medidas de reforço "nos principais focos nesta região".

Apenas 24 dos 270 infetados do último dia não residem na zona da Grande Lisboa e estão distribuídos pelo Norte (mais 17 infetados), pelo Centro (cinco) e pelo Algarve (dois). Açores, Madeira e Alentejo não revelam nenhuma alteração à sua situação epidemiológica.

O número de novos casos portugueses, que se mantém entre os 250 e os 400, coloca agora o país como o segundo com o maior aumento diário de infeções por cada cem mil habitantes. De facto, "temos uma taxa por cem mil habitantes relativamente elevada, quando comparada com os outros países, mas em relação ao primeiro país [com mais novos casos] há uma distância enorme e está relacionada com a política que Portugal tem em relação à deteção dos casos", afirmou a diretora Geral da Saúde, durante o briefing diário.

Segundo Graça Freitas, estes números devem-se "não só a este último rastreio [realizado nas empresas de Lisboa], que decidimos fazer exatamente para captar rapidamente casos positivos, mas porque somos um país que desde o início tem uma linha - a SNS 24 - para onde qualquer pessoas que telefone, mesmo com sintomas muito ligeiros é canalizada, através de uma plataforma informática, para o seu médico de família e é lhe feito um teste. Em Portugal há uma procura bastante ativa dos casos".

No entanto, a responsável pela DGS lembra que este indicador não tem influenciado outros, como um aumento drástico dos internamentos, quer em enfermaria, quer em cuidados intensivos ou até das mortes. "Durante toda a epidemia, a nossa taxa de letalidade não foi tão elevada como em muitíssimos outros países extremamente desenvolvidos", continua Graça Freitas. "O país deve estar orgulhoso da sua capacidade cívica, de tratar bem os doentes e da capacidade da rede de saúde pública".

A taxa de letalidade global do país é hoje de 4,2%, aumentando para 17,4% no caso das pessoas acima dos 70 anos - as principais vítimas mortais.

Esta sexta-feira, o número de hospitalizações voltou a aumentar um pouco. Estão internados 440 doentes (mais 25 que ontem), sendo que destes 73 encontram-se nos cuidados intensivos (mais três). A maioria estará nos hospitais da Grande Lisboa, que têm uma lotação de 65% (entre doentes covid e não covid), segundo Graça Freitas.

O boletim da DGS indica ainda que aguardam resultados laboratoriais 1486 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 30 mil. O sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 39% dos doentes), seguida da febre (29%) e de dores musculares (21%).

Graça Freitas clarifica reforço das regras de contenção durante os santos populares

Tal como já tinha sido anunciado, este ano, os festejos dos santos populares estão sujeito "às novas regras", como as apelidou a diretora-geral da Saúde. Graça Freitas clarificou a sua posição em relação aos arraiais - depois de na conferência de imprensa desta quinta-feira ter ficado no ar a possibilidade de alguma tolerância adicional. Este ano, as celebrações serão diferentes e independentemente de não estar em causa a tradicional sardinha, se esta for comida num restaurante há que obedecer a todas as instruções de distanciamento social e medidas de higiene.

"Devem ser reforçadas as seguintes questões: as regras de ocupação, distanciamento físico e higiene relativas aos estabelecimentos de prestação de serviços, comércio, retalho e restauração", esclareceu a responsável pela DGS. "Realço que não é permitida a celebração de eventos e atividades que originem a aglomeração de pessoas em número superior a dez, estando previstas ações de fiscalização efetivas para aconselhar a não concentração de pessoas e a sua dispersão se necessário".

"Infelizmente, a avaliação que fizemos determinou que não fosse possível e permitido os tradicionais arraias nos santos populares e nesse sentido reiteramos, como a Dra. Graça Freitas fez ontem, as medidas que estão a ser tomadas pelos autarcas, salvaguardando a segurança de todos", acrescentou a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, sublinhando que isso não significa uma limitação das "opções gastronómicas escolhidas. Naturalmente, podemos comer um prato de sardinhas".

ATL começam a reabrir a 15 de junho

Questionada sobre para quando a reabertura dos ATL, a diretora-geral da Saúde disse que estes "abrirão a partir de 15 de junho, os que não estão integrados em estabelecimentos escolares, e depois a partir de 26 de junho os que estiverem relacionados com as escolas".

As regras para o regresso destes estabelecimentos "estão em audiência pública", para que as autoridades de saúde possam ouvir os responsáveis pelos ATL. E deverão ser divulgadas nos próximos tempos.

424 mil mortes por covid em todo o mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 7,6 milhões de pessoas no mundo inteiro, até esta sexta-feira às 10:08, segundo dados oficiais. Há agora 3,8 milhões de recuperados e 424 239 mortes a registar.

Os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (2 089 825) e de mortes (116 035). Em termos de número de infetados, seguem-se o Brasil (805 649) e a Rússia (511 423). Portugal surge em 32.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Reino Unido é a nação com mais mortes declaradas (41 279). Seguem-se o Brasil (41 058) e a Itália (34 167).

Do tipo de sangue à asma: o que a ciência ainda está a descobrir sobre a covid-19

Primeiro veio a ideia de que medicamentos contra a malária podiam ajudar no combate ao coronavírus ou que este não resistia ao tempo quente. Depois, que a nicotina podia até proteger os pacientes ou que a asma não seria um fator de risco, já para não falar das versões contraditórias sobre o uso de máscara. Agora a teoria é que o tipo de sangue pode indicar quem está menos suscetível a desenvolver sintomas graves e acabar nos cuidados intensivos.

Só uma vacina poderá impedir a propagação do coronavírus, oficialmente detetado em dezembro na China e para o qual não há medicamentos indicados para a cura. Os médicos têm usado vários métodos e fármacos para diminuir os sintomas e ajudar o organismo a defender-se, mas nada tem demonstrado uma eficácia a 100%. A única forma comprovada de não contrair o vírus é o distanciamento físico, podendo uma higiene adequada das mãos e medidas de prevenção como espirrar para o antebraço ajudar a evitar transmissões.

Veja aqui algumas teorias de que já se falou, sabendo que a doença está a ser estudada há pouco mais de seis meses e que as conclusões podem vir a alterar-se com o passar do tempo e a análise de mais dados.

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