Viagem ao princípio do mundo

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No domingo fui ao Porto assistir à assinatura do acordo da nova AD.

E fui porque considero que não basta ser crítico da situação política, nem basta ter péssima opinião dos políticos e das suas soluções para Portugal: é fundamental compreender que o que temos como oferta política para nos governar resulta essencialmente da forma como nós participamos nessa mesma política.

Diz-se, e é verdade, que fraco rei torna fraca a sua gente -- e nisto todos concordamos.

Mas também se diz que cada povo tem os líderes que merece, e isso já não citamos com a mesma convicção.

É que se a primeira é fácil, pois desconvoca as nossas obrigações, a segunda implica a nossa responsabilização pelo que nos acontece e não estamos interessados em reconhecer a nossa falta.

Pois este é o momento mais importante para que assumamos a nossa responsabilidade e que comecemos a defender, a influenciar e a ajudar a formar uma solução de governo que nos entregue o que todos reclamamos.

Num momento em que todos reconhecem o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, da inexistência de soluções na habitação, da ineficácia na justiça, que o nível da pobreza atingiu 40% da população, em que se percebe o descontrolo e ausência de apoio à imigração, a falta de aulas e de falta de preparação dos alunos, é fundamental apostar numa nova solução que nos traga a esperança de voltar a ter instituições fortes, competência no governo e que melhore a vida dos portugueses.

Não basta olharmos as próximas eleições apenas como a escolha de um novo conjunto de políticos que continuarão a deixar definhar aquilo que construímos nos últimos 50 anos.

É muito mais do que isso.

É o tempo de ir votar numa solução de credibilidade, que nos devolva a seriedade, que se ocupe do que nos faz ter boas ou más condições de vida. É tempo de voltar a ter um governo que cuide do que é mais importante, que se deixe de ideologias e traga soluções, que retrate verdadeiramente a vontade de todos e de cada cidadão.

Para isso não basta ficar em casa e deixar que outros façam o trabalho por nós.

Temos de estar presentes, temos de fazer parte desta decisão, para que aqueles que forem eleitos sintam de verdade que têm uma responsabilidade perante todos e cada um de nós.

Se não estivermos disponíveis a participar estamos a reconhecer que nos podem fazer o que quiserem, pois fomos todos nós que lhes demos essa carta branca.

É tempo de voltarmos a entender que a política não é um direito dos políticos.

Eles são os executores -- pagos por nós para o fazerem -- e apenas devem cumprir o que lhes deve ser exigido pelo povo deste país.

Não é tempo de ficar em casa nem tempo de cada um olhar para o que é só seu.

Temos de cuidar do que é de todos e que sem dúvida condicionará a maneira de viver de cada um de nós.

Exigir um Estado que funcione e que deixe de sorver mais de metade dos rendimentos de cada família.

Exigir uma política de distribuição de riqueza justa que chegue a quem verdadeiramente necessita.

Exigir que os recursos que sobram sejam bem geridos.

Exigir uma solução que nos dê animo para continuar a dar tudo por este país que o merece e que merece uma nova forma de governar e de viver.

Por isso, eu fui.

bruno.bobone.dn@gmail.com

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