Senegal o novo rosto/sede do “Panafricanismo 2.0”!

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O verdadeiro agente da mudança africana em curso, na senda da nova rejeição da herança colonial, tem sido uma crescente juventude com cartão de eleitor e formação superior no país de origem, o que os prepara para o que mudar quando “forem ministros”, resposta normal do aluno universitário africano à pergunta, “então e o que é que queres ser quando acabares o curso?” O desafio destes 60% de novos eleitores no desemprego, mais do que nunca preparados, tem sido o debate “as soberanias africanas face à mundialização”. As soberanias económicas, monetárias e culturais têm, neste caldo do “novo eleitor”, sido colocadas em causa no Senegal, a partir da eleição de Bassirou Diomaye Faye (BDF) enquanto novo Presidente (PR) do Senegal, em março último.

Desde então tem havido uma “caça-às-luvas” no país, mais do que uma caça-às-bruxas, já que o que o novo poder sempre quis colocar em causa, foram os grandes contratos de fornecimento/distribuição de hidrocarbonetos, do Porto de Dakar (gestão/concessões) e negócios da construção. Desta forma se tenta recuperar alguma soberania, face às petrolíferas e conglomerados internacionais. 

Mas BDF quer mais e também quer proporcionar a mudança dentro da Constituição do Senegal. Como tal, dissolveu o Parlamento e convocou eleições legislativas para novembro próximo. O objectivo é fazer destas legislativas uma segunda volta das presidenciais, mantendo o eleitorado panafricanista mobilizado, para um novo ajuste de contas com Macky Sall, ex-Presidente, o qual encabeça a coligação Takku Wallu Sénégal (Determinação para levar ao limite o socorro/ajuda ao Senegal), uma montra da velha-guarda, já que incorpora dois antigos PR’s, Sall e ainda o anterior, Abdoulaye Wade, bem como o antigo Edil de Dakar, Khalifa Sall.

Ou seja, “os velhos” juntaram-se todos para serem uma “muralha de aço” às inovações a implementar, precisando o PR para tal de uma maioria parlamentar para proceder a uma Revisão Constitucional, que lhe permita alavancar o quê exactamente?

Desmantelar a CEDEAO e o Franco CFA, são os objectivos “independentistas”, para uma soberania mais plena. Ora esta Comunidade Económica da África Ocidental, tem em circulação uma moeda única, o tal Franco das Colónias Francesas em África, daí CFA e daí também as “dores locais” e a vontade de eliminar esta marca-de-água colonial. E depois, o que virá?

Esta é a questão a que BDF ainda não respondeu, sendo que tem sido esta moeda única a aguentar as economias domésticas, que em África se sustentam sobretudo no/do informal. 
O Senegal vai merecer em 2025 a atenção daqueles que em outubro de 2024 dizem, como nós, “estamos mesmo a ver onde isto vai parar”!


Escreve de acordo com a antiga ortografia

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