Terminou anteontem o 24º Congresso Nacional do PS, um momento alto para a consagração do novo Secretário-Geral do partido. No mesmo dia, numa esfera e proporção diferentes, apresentou-se a nova versão da AD (Aliança Democrática)..Começando pela AD, mesmo 45 anos depois, ainda se entende a emoção e (quase) convulsão aquando da apresentação da AD original, em 1979. Aí, testemunhou-se o entendimento entre Gonçalo Ribeiro Telles, Diogo Freitas do Amaral e Francisco Sá Carneiro. Foi um momento que impôs respeito e, de certa forma, gerou orgulho porque se tratava de pessoas reconhecidas pela sua absoluta idoneidade..E a referida idoneidade não foi apontada pelo facto de duas dessas figuras terem apoiado publicamente ou integrado governos do PS, mas sim pelas carreiras profissionais e públicas cujo mérito está acima de qualquer suspeita..Sem qualquer desprimor pelos atuais líderes das forças políticas na nova versão da velha aliança, a verdade é que entre uma e outra ainda houve uma aliança de má memória para todos: a PAF..Talvez por essa recordação inconveniente não tenha havido grandes novidades para além da típica e já batida mensagem do “queremos correr com eles e com o socialismo”. E esse soundbite é perpetuado mesmo que não haja propriamente socialismo em Portugal e que as pessoas vão demonstrando, eleição após eleição, que continuam a querer o PS a governar..Posto isto, é importante perceber porque é que ao longo dos anos, como se compreendeu durante o fim-de-semana, a alternativa ao PS é, efetivamente, o PS. É o Partido Socialista que tem a capacidade de se renovar e ir ao encontro das necessidades dos portugueses..Essa talvez seja uma das caraterísticas mais relevantes dos socialistas, uma vez que lhes permite apresentar medidas e propostas que visam continuar a melhorar a vida da maioria dos portugueses. Sem extremismos e com ponderação, onde todos são respeitados e têm o seu espaço, no fundo assegurando aquilo a que se chama pluralidade democrática..Aquilo a que se assistiu no 24º Congresso do PS foi o agregar dos senadores, dos mais críticos, dos mais moderados ou radicais, dos mais afastados ou mais próximos ou mesmo dos que sempre estiveram em campos opostos..E é essa capacidade do “toca a reunir” que permite ao PS evoluir e renovar-se, sem nunca renegar o seu passado. Tratou-se sem qualquer sombra de dúvida de uma demonstração sólida de maturidade política e democrática..O novo Secretário-Geral do PS não terá uma tarefa fácil, mas os indicadores são promissores. Pedro Nuno Santos está onde sempre quis e tem o partido alinhado em torno da sua candidatura a primeiro-ministro. O próximo passo será conseguir agregar os portugueses ao seu projeto político para que os mesmos continuem a apoiar o PS e lhe confiem o seu voto no próximo dia 10 de março.