Resiliência não é opção, é dever!

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É com profunda tristeza que acompanhamos os acontecimentos dos últimos dias em Portugal. As imagens de destruição, de mortes, de casas danificadas, de infraestruturas afetadas e de famílias em sofrimento não nos podem deixar indiferentes. Quero começar por expressar a minha solidariedade para com todas as pessoas atingidas por este período de mau tempo severo, que assolou várias regiões do país, em especial o Norte, o Centro e a nossa orla costeira.

A sucessão de depressões que atravessou o território nacional trouxe rajadas de vento extremamente fortes, chuva intensa, agitação marítima anormal e episódios de neve em zonas menos habituadas a este cenário. Estradas foram cortadas, serviços interrompidos, milhares de habitações ficaram sem energia elétrica e a normalidade da vida de muitas comunidades foi abruptamente suspensa. Quando a natureza se impõe desta forma, percebemos como somos vulneráveis e como o Estado tem a responsabilidade de estar preparado para proteger e apoiar.

Mais do que discutir rótulos meteorológicos ou classificações técnicas, importa reconhecer que fenómenos extremos estão a tornar-se mais frequentes e mais intensos. Portugal, pela sua localização geográfica e pela extensa faixa costeira, está particularmente exposto a eventos climáticos adversos. Isto exige planeamento, prevenção e capacidade de resposta. Exige investimento em infraestruturas resilientes, na modernização das redes elétricas, na proteção das zonas costeiras e numa gestão florestal adequada.

No exercício das minhas funções, quer enquanto deputado, quer enquanto presidente da Comissão da Energia, do Ambiente e da Água da Assembleia Parlamentar da União para o Mediterrâneo, tenho defendido que a ação climática não pode ser reduzida a slogans ou a disputas ideológicas. O que está em causa são vidas humanas, infraestruturas críticas e a segurança das nossas comunidades. A resposta a estes fenómenos deve ser prática, concreta e orientada para resultados.

Não se trata apenas de conferências internacionais ou de metas abstratas. Trata-se da capacidade real de prevenir tragédias, de reforçar sistemas de alerta, de garantir coordenação eficaz entre proteção civil, forças de segurança e autarquias. Trata-se também da rapidez e da eficácia com que o Estado apoia quem perdeu bens, habitação ou meios de subsistência.

Neste momento difícil, é justo reconhecer o trabalho incansável dos bombeiros, das equipas de proteção civil, das forças de segurança e de todos os técnicos que, no terreno, têm enfrentado condições adversas para proteger vidas e restabelecer serviços essenciais. São eles que, muitas vezes em silêncio, seguram o país quando tudo parece tremer.

Mas a solidariedade não pode ser apenas uma palavra. Tem de traduzir-se em decisões rápidas, em apoios efetivos e em presença concreta do Estado junto de quem precisa. É fundamental que o Governo assegure mecanismos céleres de apoio às famílias afetadas e às empresas que viram a sua atividade interrompida. Não podemos permitir que, além do sofrimento causado pela intempérie, se instale depois o abandono burocrático.

Os acontecimentos destes dias devem servir como alerta. A energia, o ambiente e a gestão dos recursos naturais não são temas distantes: são questões que impactam diretamente a segurança, a economia e a qualidade de vida das pessoas. Um país que investe na prevenção é um país que salva vidas, reduz prejuízos e protege o seu futuro.

Que este momento de dor e preocupação nos una em torno do essencial: proteger as pessoas, reforçar a resiliência do território e agir com responsabilidade. Porque quando a natureza nos testa, o Estado não pode falhar.

Às famílias afetadas, deixo uma palavra sincera de apoio e o compromisso de que continuaremos a exigir preparação, respostas eficazes e ação concreta perante os desafios que enfrentamos.

Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

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