O governador do Banco de Portugal disse que “é o momento de todos os agentes económicos [nacionais] constituírem poupanças”. Simplificando, podemos pensar nos agentes económicos como famílias, empresas e Estado. Tendo em conta que as famílias até estão a poupar mais e que as empresas não têm aumentado a procura por crédito, o recado é obviamente para o Estado, com a despesa pública a aumentar como já não acontecia desde 1992. “Estado” não é obrigatoriamente “Governo” - houve aumento de despesa provocado por iniciativas parlamentares à revelia da AD e em 2025 o Parlamento deverá ser o mesmo..O BCE atrás da curva.Pela primeira vez em 13 anos, o Banco Central Europeu cortou taxas de juro em duas reuniões consecutivas. As primeiras palavras de Christine Lagarde na conferência de imprensa de quinta-feira foram em relação ao estado da economia e não sobre a inflação, o que talvez seja inédito. A forma enfática como disse que não está a antever uma recessão parece querer dizer precisamente o contrário. O BCE está preocupado com a economia, atrasado nos cortes de taxas e a sua política monetária restritiva contribuiu para esta situação..Portugal, o bom aluno.A diferença entre o que Portugal e Alemanha pagam pela dívida pública a 10 anos atingiu na sexta-feira o valor mais baixo desde agosto de 2008, ou seja, antes da crise da dívida da Zona Euro e da grande crise financeira. Portugal paga apenas mais 0.43 pontos percentuais do que a Alemanha. É um valor baixo, menor que o de Espanha e quase metade do que França. Quem diria….Imprensa europeia em negação.Há algum tempo que as sondagens e as casas de apostas dão vantagem a Donald Trump. Na imprensa europeia, fala-se em “empate técnico”, “desfecho imprevisível” e Kamala Harris à frente nos votos totais. Até 5 de novembro pode acontecer de tudo, mas a vitória de Trump é, para já, o cenário central. Os mercados não parecem preocupados - o S&P 500 atingiu na sexta-feira o 46º (!) máximo histórico deste ano e quer o dólar quer as chamadas “Trump trades” (negócios que se pensam irão beneficiar com a sua vitória) estão em alta. Os sinais estão aí e vê quem quer..Petróleo recusa-se a subir.Desde 7 de outubro de 2023, o petróleo está 16% mais barato e o gasóleo caiu 24%, mesmo com a situação no Médio-Oriente sempre a complicar. O Irão atacou duas vezes Israel e teme-se que as infraestruturas petrolíferas iranianas sejam atingidas. No entanto, na semana passada o crude recuou mais 8%, para $69/barril. Se há condições geopolíticas para o petróleo cotar a 100 dólares ou mais, então o que se passa? Há excesso de petróleo, quer pela produção atual quer pela oferta potencial. A procura está fraca e a China está a consumir menos, devido à desaceleração económica e à eletrificação do parque automóvel.