Por Lisboa e por Portugal, Dr. Fernando Medina, estejamos à altura do momento

A petição organizada pela Nova Portugalidade contra o apagamento dos brasões da Praça do Império abeira-se das 14 mil assinaturas. Apoiada pelos ex-presidentes da República Ramalho Eanes e Cavaco Silva, e por figuras de todas as áreas do espectro político, o que fez foi unir os portugueses num grande movimento - movimento pelo patriotismo, pelo património, pela cultura e pela ideia de que o espaço público deve ser de todos, sem perseguição de ideias, memórias ou testemunhos do passado.

Todos os argumentos da Câmara Municipal de Lisboa (CML) foram metodicamente deitados à terra. Dizia-se não haver dinheiro? Mostrámos como a Junta de Freguesia de Belém se ofereceu para assumir o encargo. Dizia-se, perante o choque incrédulo de todos, que os brasões não existiriam? Fotografámos cada um deles, cruzámo-los com o projeto original e mostrámos que todos - todos, das capitais de distrito, das ordens militares e das províncias do Ultramar - lá estão. A única coisa que falta para a sua recuperação é a vontade política, e isso já sabe o país inteiro.

Se optar pelo caminho do extremismo e do autoritarismo, a câmara deverá preparar-se para uma luta longa e renhida - se necessário, para um referendo local, que poderemos e faremos convocar. Pela nossa parte, estamos inteiramente dispostos a continuar uma campanha que nos é imposta pela nossa consciência de cidadãos: mais ainda quando sabemos estar a vencê-la.

Pode e deve haver alternativa a uma luta prolongada, especialmente quando a capital e o país se debatem com o flagelo da pandemia. Pela nossa parte, sabemos que a seiva da democracia é o diálogo: a trincheira da intransigência tem sido a da câmara, não a nossa. Ora, temos dito e continuamos a afirmar que os brasões possuem por si mesmos insubstituível valor patrimonial. Uma Praça do Império sem eles é uma Praça do Império mais pobre. Não acreditamos quando a CML use argumentos de natureza técnica ou financeira para justificar a destruição dos brasões. Contudo, reconhecemos ter mérito a sugestão, apresentada pelo presidente da Junta de Freguesia de Belém, Fernando Rosa, de refazer os brasões em calçada portuguesa. Não sendo a solução que preferimos, não nos oporíamos a ela. A ideia homenagearia a calçada portuguesa, manteria a memória dos brasões e respeitaria a história; além disso, seria mais barata e de mais fácil manutenção, pelo que recusá-la exporia ainda mais o que tem sido até agora a hipocrisia da câmara.

Ao DN, o vereador Sá Fernandes disse que "não tem preconceito ideológico, quer é arranjar" a praça. Medina tem reiterado o mesmo. Pois bem, se a ideologia não é o que motiva a destruição dos brasões, a oportunidade para o mostrarem está aqui. Basta que a agarrem.

Presidente da Nova Portugalidade

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