Touradas: Uma questão eleitoral

Nunca escondi que sou um acérrimo defensor do mundo rural, das nossas tradições e costumes, das raízes que nos marcaram a história e de toda a diversidade cultural Portuguesa.

Assumir a nossa Portugalidade e aquilo que nos distingue dos outros e demais países não é só aludir aos brilhantes vultos da cultura lusitana, vibrar com os fantásticos atletas que o nosso País tem, promover os diferenciadores produtos endógenos que vamos espalhando pelo mundo fora ou mesmo reconhecer as empresas que daqui saem e são distinguidas por milhões de consumidores, por todos os continentes. É, também, e principalmente, defender e divulgar o nosso património cultural e monumental, as nossas tradições, raízes rurais e costumes ancestrais, que tantos turistas atraem e que, na maioria das vezes, são referências de um País rural interior, que muitos já esqueceram.

Como referi, num artigo escrito há pouco tempo no "Correio do Ribatejo", o recente provincianismo paródico, que se vem apoderando de uma parte de Portugal e que renega as nossas festas e tradições seculares, tem rejeitado a nossa cultura e deste modo a nossa identidade nacional, em troca de meia dúzia de "bandeiras" importadas de países cuja cultura rural como nós a conhecemos, não existe.

São alguns destes urbanos depressivos, que não conhecem nem compreendem o seu país, que nunca lutaram pela defesa da liberdade de opinião, onde os Homens conquistaram o direito de poder escolher o que querem ver, ler e ouvir, que tentam destruir as nossas referências, substituindo-as por outras.

Estes, que se julgam os paladinos das novas e coloridas causas, que defendem a eutanásia, o aborto ou o direito à mudança de sexo por jovens de 16 anos sem relatório médico, são também aqueles que defendem que para caçar ou tourear tem de se ter no mínimo 18 anos!

São estes os mesmos que defendem a despenalização das drogas leves em Portugal, mas consideram que é prejudicial para um Português ver uma corrida de touros na televisão, antes das 22h30!

É incompreensível esta popular demagogia que valoriza uma troca de votos pela memória das pessoas, pelo viver da história e da cultura popular ou pela alegria de uma aldeia, perdida no tempo, que se reúne uma vez por ano para realizar uma tourada ou um evento taurino.

Apesar destes que se autointitulam evoluídos civilizacionalmente considerarem que as suas causas são "um avanço" na nossa sociedade, na verdade, são a melhor forma de abandonarem o País que lhes permitiu crescer, sonhar e viverem.

Será que estes "guardiões" da sociedade sabem onde fica o Sabugal, pelo que passam as populações das terras Beirãs, devido à sua interioridade? Mesmo que não saibam há uma coisa que não duvido: que querem acabar com a capeia arraiana, sem saber o que ela significa para as suas gentes.

Quando acabarem os eventos taurinos também acabam vivências coletivas em muitas das nossas regiões, morrem dezenas de festejos seculares e deixa de existir o orgulho de muitos que voltam à sua terra, para reviver aquilo que tiveram de deixar para trás.

Quando acabarem com estes espetáculos da cultura popular Portuguesa estão a abandonar um Portugal que, infelizmente, aos poucos vai ficando irremediavelmente mais pobre e esquecido.

Deputado do PSD

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