O futuro da RAE de Hong Kong e da GBA

No passado dia 9 de Junho, a Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong e duas outras associações de Hong Kong organizaram em Lisboa um seminário alusivo aos 25 anos da Região Administrativa Especial (RAE) de Hong Kong e o seu futuro, incidindo, no seu devir próximo, no facto de ser uma das cidades-charneira da Área da Grande Baía (GBA, na sigla inglesa). A GBA é uma das principais megalópoles que o governo chinês está a criar e abrange as RAE de Hong Kong e de Macau, e 9 áreas urbanas da Província de Guangdong, com especial relevo para Guangzhou e Shenzhen; tem uma área total de c. 56.100 km2, uma população de 86 milhões de habitantes e um PIB global de 1,587 biliões de euros (um pouco maior que o da Rússia). A GBA foi a primeira megalópole a ter um "Plano de Desenvolvimento" aprovado, mencionando os objetivos da área mega-metropolitana e o papel de cada uma das áreas urbanas que a integram.

Mais de 20 anos após a reassunção de soberania da R. P. da China relativamente a Hong Kong, esta RAE manteve a sua pujança e características essenciais na vertente económica - uma cidade de negócios internacional, porto livre com quase total ausência de tarifas alfandegárias, liberdade de circulação de capitais, baixa taxação, uma porta de entrada para a China em inúmeros setores (catalisada pelo CEPA, um abrangente acordo de comércio livre com o Interior da China), importante centro de trading, importante centro portuário e de comércio marítimo, relevantíssimo hub de aviação civil - no Extremo Oriente e a nível mundial - e o mais relevante centro financeiro da Ásia.

É importante seguir de perto a evolução da GBA, desde logo como um mercado integrado e com uma dimensão mais condizente com a escala das empresas portuguesas.

Para além disto, a criação da GBA vem aumentar e catalisar o potencial de Hong Kong. Desde logo, porque será mais fácil integrar redes de distribuição na RAE de Hong Kong com as redes de distribuição das principais áreas urbanas de Guangdong. Mas também porque passa a ser facilitada em toda a GBA a atividade profissional de muitos profissionais liberais de Hong Kong (e de Macau); atenta a elevada pool de profissionais qualificados em Hong Kong, as empresas e profissionais liberais de Hong Kong deverão beneficiar muito desta facilidade. Um dos grandes objetivos subjacentes à instituição da GBA é a criação de um grande hub financeiro internacional, com mercados financeiros novos em várias áreas urbanas. As empresas financeiras e os profissionais deste setor em Hong Kong beneficiarão muito com este objetivo. Mas muitas empresas chinesas e estrangeiras (incluindo bancos portugueses) aproveitarão para levantar capital e obter financiamento nestas praças financeiras.

É importante seguir de perto a evolução da GBA, desde logo como um mercado integrado e com uma dimensão mais condizente com a escala das empresas portuguesas. Por outro lado, a GBA passa a ser uma das principais áreas para montar financiamentos para projetos empresariais em países lusófonos, em especial quando haja parcerias com empresas chinesas. Por fim, o interesse de várias empresas de Guangdong, em especial empresas estatais e fundos provinciais, na sua internacionalização e em parcerias internacionais, abre perspetivas muito interessantes a empresas que saibam posicionar-se e encontrar canais para o efeito.

Consultor financeiro e business developer
www.linkedin.com/in/jorgecostaoliveira

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