O bloco da direita parece mais unido... em Espanha

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Já escrevi anteriormente neste espaço que os 50 deputados que o Chega elegeu – num Parlamento com 230 assentos – têm (muito) menos poder do que os números poderiam indicar. E que isso se deve, em grande medida, ao facto de o principal partido do centro-direita em Portugal, o PSD, os ter remetido, até ao momento, à solidão. Em suma: deixando-os a jogar sozinhos na ponta direita da bancada, sem adversário nem parceiro.

Desengane-se quem pensa que o PSD o faz apenas por convicção ideológica ou para “conter a extrema-direita”. Fá-lo porque pode. Fá-lo porque o PS de Pedro Nuno Santos, ao ver impossibilitada nas urnas uma ‘geringonça parte II’, mesmo que mais débil, ficou condenado a ser um parceiro. Um parceiro contrariado, mas útil ainda assim, consciente de que tem mais a perder do que a ganhar se bloquear o governo no Orçamento do Estado. Aliás, isso viu-se há dias, bem presente não só nas declarações do líder socialista, ao anunciar que iria viabilizar o OE, como nas críticas internas que ainda está a enfrentar no PS.

Mesmo aqui ao lado, em Madrid, a manifestação de ontem deu-nos um vislumbre da “camisa de sete varas” em que a política portuguesa estaria se apenas um punhado de deputados, nas legislativas de março, tivesse caído para a parte esquerda do Parlamento.

O que vimos, entre dezenas de milhares de cidadãos a empunhar bandeiras nacionais e a gritar pela “unidade de Espanha” e “contra a corrupção” do governo socialista de Pedro Sánchez, foi um PP, o partido com maior representação parlamentar (137 deputados no Congresso, mais 17 do que o PSOE), firme ao lado do Vox, de Santiago Abascal. Não têm estado juntos com grande fervor desde que, na sequência das eleições nacionais espanholas de 2023, a soma dos deputados do PP com os do Vox não chegou para a maioria (que em Espanha se consegue com 176 deputados).

Na altura, e ao contrário de Portugal, em Espanha os 120 deputados do PSOE foram suficientes para formar governo, agregando uma miríade de partidos, incluindo independentistas catalães e os bascos do Bildu e do PNV.

Então o que mudou? É que este protesto ocorre poucos dias depois de uma sondagem nacional que mostra o PP cinco pontos acima do PSOE e já em terreno de maioria se juntar forças ao Vox e ao SALF (Se Acabó La Fiesta). O posicionamento conjunto do PP e do Vox no protesto de ontem em Madrid pode indicar que as contas de cabeça do líder dos populares, o galego Alberto Núñez Feijóo, já começam a bater certo.

Também indica que os 33 deputados do Vox (menos de 10% do Parlamento espanhol) podem estar prestes a tornar-se mais decisivos do que os 50 do Chega (21% do hemiciclo português). Em política, não interessa o total dos deputados, mas sim o que se consegue fazer com eles.

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