Hi Joe...

Temos novo presidente. Não falo de Marcelo Rebelo de Sousa, mas de Joe Biden. Apesar de todos sabermos que Biden "só" é presidente dos americanos, na realidade é o presidente de todos nós.

E é-o porque nos envolvemos na sua eleição e se nós, europeus, pudéssemos escolher o presidente dos Estados Unidos, Biden teria ganho de uma forma muito mais convincente.

Como bem sabemos, Donald Trump teve sempre muito mais críticos fora dos Estados Unidos do que lá dentro e, ainda que nos tenha custado, foi o candidato derrotado com mais votos de sempre.

Ninguém tem dúvida de que o presidente dos Estados Unidos tem uma enorme importância para a nossa vida. Desde a queda do Muro de Berlim, e até há pouco tempo, assistimos a uma ordem global que se baseava no poder de uma potência.

Isso permitiu reduzir tensões e inaugurar um período de estabilidade. Deixámos de nos preocupar com a gestão dos nossos interesses na escolha do nosso posicionamento internacional em termos de alianças. Essa ordem mundial, sem oposição, muito contribuiu para a globalização e para o crescimento da influência dos interesses americanos em todo o mundo.

O mundo está de novo a bipolarizar-se, tendo a China criado um poder que se bate com a América e que condiciona e condicionará a ordem que conhecíamos. Hoje temos duas superpotências que batalham pelo mesmo espaço de dominância política e económica: a era unipolar terminou.

Nesta perspetiva torna-se fundamental para Portugal e para a Europa redefinir o seu posicionamento.

É preciso assegurar um lugar que lhe garanta o crescimento económico e o desenvolvimento social. Tudo isto está dependente dos acordos e da posição negocial que consiga estabelecer. A União Europeia decidiu não esperar pelo início do novo ciclo nos Estados Unidos e celebrou um acordo de princípio sobre investimentos com a China, no final do ano passado. É um novo paradigma, onde os líderes europeus sinalizam que pretendem sair de baixo da asa de Washington. Mas é algo que não deverá ser bem recebido na Casa Branca.

Neste ambiente, e sabendo hoje que a Europa é o bloco económico com maiores níveis de consumo que ambas as potências necessitam de conquistar, torna-se fundamental conseguir estabelecer a estratégia para melhor conduzir essas negociações. O que naturalmente passará por conseguir reabrir portas com os Estados Unidos para a celebração de um tratado de livre comércio que assegure os interesses das exportações europeias e permita um estádio de potencial crescimento da economia.

Mas significa também recuperar o papel dos Estados Unidos e da sua posição nos acordos de que se alheou, e que vão desde o compromisso com os acordos de Paris, com a sua participação orçamental na NATO, na OMS e na OCDE. O regresso a alguns destes compromissos foi assinado por Biden no seu primeiro dia na Casa Branca.

Outro objetivo terá de ser a cooperação entre os dois blocos nas decisões de modo a enquadrar as posições a tomar frente aos interesses chineses. A meta é estruturar a relação com a China de maneira a tornar-se complementar e não conflituosa, sempre que possível. O princípio de acordo alcançado entre Bruxelas e Pequim pode ter sido um primeiro passo.

Para que tudo isto seja uma realidade precisamos que Biden seja um presidente forte, com uma visão global, seguindo a tradição norte-americana desde a II Guerra Mundial, e que queira também ser, verdadeiramente, um presidente de muito mais do que apenas dos americanos.

Que queira reconciliar os Estados Unidos com o mundo e traga a estabilidade estratégica que permita voltarmos a viver num clima de menor sobressalto, tão prejudicial às empresas e ao crescimento económico mundial.

E que assim se torne de facto o presidente de todos nós.

bruno.bobone.dn@gmail.com

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