O clima entrou em terreno desconhecido. Os vídeos que todos recebemos no whatsapp da devastação que o furacão Milton causou na Florida não podem deixar ninguém indiferente. Entre nós, repete-se o rodízio da seca, incêndios e inundações cada vez mais intenso, cada vez mais frequente..O menu dos eventos climáticos extremos que ocorreram na Terra em 2024 tem de tudo e em grande: nevões, ondas de frio, secas, ondas de calor, incêndios florestais, inundações, tornados e ciclones tropicais. Os cientistas andam a avisar que estamos demasiado perto do ponto de viragem, a partir do qual as crises climáticas se podem multiplicar, sobrepor e descontrolar, sem que a Humanidade tenha capacidade de prever e se adaptar. O fim do mundo, que preencheu o imaginário de tantos e deu nome a livros e a filmes, poderá não ser ficção científica..Bem a propósito, o Jornal de Notícias publicou ontem uma notícia sobre um relatório da União Europeia que conclui que os gastos com a crise climática vão escalar e o interior e sul de Portugal serão das regiões mais castigadas..Entretanto, a maioria dos políticos anda na sua vidinha. No plano internacional, desdobram-se em ações para conter as guerras na Ucrânia e à volta de Israel, o que é mais do que prioritário. Em Portugal, mantêm a novela do Orçamento do Estado, com muito folclore à mistura, quando todos sabem que vai ser aprovado (e bem). Pelos Estados Unidos, são as eleições para a presidência que marcam a agenda, num fogo cruzado que inclui um candidato negacionista, um incumbente em falência física e uma esperança chamada Kamala..O que não vemos é ninguém a assumir o combate da Humanidade. O grito da Terra a que assistimos não suscita uma particular atenção, e muito menos ação, de qualquer líder internacional. Onde estão os Al Gore deste planeta? Por que razão o pseudogénio Elon Musk não põe a sua inteligência e o seu dinheiro ao serviço da causa climática, em vez de andar aos saltinhos ridículos nos comícios do - agora - seu ídolo Trump? E os Bill Gates, Jeff Bezos, Bernard Arnault, Colin Huang, Mukesh Ambani, Armancio Ortega ou Carlos Slim? Será que estes indivíduos, que reúnem fortunas incomensuráveis - conquistadas com o seu trabalho e genialidade -, não sentem o apelo da responsabilidade e não se chegam à frente para salvar a nossa Casa Comum?.À medida que a janela de oportunidade para a mitigação das emissões de gases de efeitos de estufa se vai fechando, paulatinamente condenando a estabilidade climática, maior é a premência para o aparecimento de uma nova elite de líderes - na política e na economia - centrados no clima. A famosa frase do estratega de Bill Clinton “É a economia, estúpido!”, que o levou à presidência dos EUA, bem poderá ser substituída pela bem mais atual “É o clima, estúpido!”