"Como é o seu francês?”, pergunta o jornalista em inglês. “Horrible!”, responde George Clooney em francês, antes de mudar para inglês para explicar que passa muito tempo no sul de França - “a minha mulher fala perfeitamente, os meus filhos falam perfeitamente. E falam francês à minha frente, podem dizer coisas más sobre mim, na minha cara, sem eu perceber”. Esta conversa teve lugar há três semanas, quando o ator americano falou ao Canal + para a promoção do seu filme Jay Kelly. Na altura, no programa C a Vous, da France 5, Clooney confessava também, meio a brincar, que para resolver o “problema”, estava a aprender francês às escondidas - no Duolingo. Mas mesmo após “400 dias de aulas”, continuava “muito mau”.Esta semana surgiu a notícia de que Clooney, a mulher, a advogada de direitos humanos anglo-libanesa Amal Clooney, e os gémeos Ella e Alexander, de oito anos, obtiveram a nacionalidade francesa. O caso logo gerou alguma polémica. Se o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês defendeu que foi seguido um “procedimento rigoroso”, houve várias vozes críticas, entre elas Marie-Pierre Vedrenne, ministra delegada junto do Ministério do Interior, que admitiu que a decisão “não passa a mensagem correta”. Polémicas à parte, a relação de amor dos Clooney com França remonta a 2021 quando o casal se apaixonou por uma propriedade perto de Brignoles, na Provença, onde agora passa grande parte do ano. E em outubro, o ator afirmava à revista Esquire preferir criar os filhos em França onde “não tiram fotos das crianças à saída da escola, onde não há paparazzi em cada canto”. Mas o ator de êxitos como Syriana , Ocean’s Eleven (com o amigo Brad Pitt, dono de uma propriedade também no sul de França, não longe da dos Clooney) ou Os Idos de Março (que também realizou, tal como oito outros filmes) não é a única estrela de Hollywood a ter proximidade com França. De Jodie Foster, fluente em francês por a mãe, francófila, a ter inscrito no Liceu Francês, a Timothée Chalamet cujo francês quase perfeito se explica com um pai francês. Mas há mais atores americanos francófonos. Bradley Cooper surpreendeu com o seu à-vontade com a língua de Molière, tendo passado seis meses como estudante em Aix-en-Provence. Quem também estuda francês com o filho é Gwyneth Paltrow, que encantou os franceses com o seu ligeiro sotaque em vídeos nas redes sociais. A relação entre França e EUA é tão antiga quanto a independência americana, cujos 250 anos se celebram em 2026, conquistada aos britânicos com o apoio francês. E o povo francês ofereceu mesmo a Estátua da Liberdade ao povo americano. Ora os EUA devolveram a ajuda dada em 1776 enviando soldados nas duas guerras mundiais, tendo mesmo ajudado a libertar a França dos nazis em 1944. Momentos imortalizados por Hollywood. Olhando para as estrelas americanas, parece, contudo, haver candidatos mais bem preparados do que George Clooney para serem franceses. Voilà!Editora-executiva do Diário de Notícias