Isto de renovação das gerações na política vale o que vale, mas nenhum jornal deixou de destacar em 1992, quando Bill Clinton foi eleito, que era o primeiro Baby Boomer a chegar a presidente dos Estados Unidos. Ali o que contava como grande linha diferenciadora era a Segunda Guerra Mundial, que acabou em 1945 e na qual o candidato derrotado, o presidente George Bush, até combatera. Clinton, por seu lado, nasceu em 1946, e juntamente com o vice-presidente Al Gore, outro Baby Boomer, transmitia a imagem de uma América mais jovem, sobretudo mais dinâmica. Ganhou votos com isso, certamente..Em Portugal, estamos ainda à espera de eleger o primeiro presidente ou primeiro-ministro nascido depois de 1974, o ano da Revolução. Tivesse a vitória sido socialista nas últimas legislativas, e Pedro Nuno Santos teria de certa forma feito História. O social-democrata Luís Montenegro, que acabou por ganhar as eleições, tinha já um ano no 25 de Abril..Também se fala agora de renovação geracional em Moçambique, com o favorito nas eleições presidenciais de hoje, Daniel Chapo, a ter 47 anos, ou seja nascido já depois da independência, que aconteceu em 1975. O principal rival, Venâncio Mondlane, tem 50 anos, e é um pouco como Montenegro: se ganhar fica perto de fazer História, mas não a faz. Pelo menos do ponto de vista destas datas emblemáticas. Uma vitória de Mondlane faria História sim, e muita, mas por acontecer finalmente alternância política em Moçambique, pois a Frelimo até agora deu os quatro presidentes ao país, muito graças ao facto de ter sido o movimento de libertação nacional e para muitos moçambicanos isso ainda contar na hora do voto. Samora Machel, que morreu em 1986, continua uma figura popular, e pela sua personalidade ganha na comparação com os sucessores, incluindo Filipe Nyusi, agora de saída após dois mandatos..No mais recente Democracy Index da The Economist, só Portugal, Cabo Verde, Timor-Leste e Brasil são considerados democracias entre os países lusófonos. São muito exigentes os critérios da revista britânica - basta lembrar que nem Portugal é considerado uma democracia plena -, mas não deixa de ser um alerta para os que estão de fora, como é o caso de Moçambique, onde 17 milhões de pessoas são hoje chamadas às urnas. .Certamente que a resolução dos muitos problemas de Moçambique, que depois da Guerra Colonial teve uma guerra civil (Mondlane, independente, foi da Renamo, que também apresenta um candidato, Ossufo Momade), não se resolvem com uma mera mudança no poder. Talvez tal até trouxesse no imediato caos a um país que é dos mais pobres do mundo e ultimamente enfrenta violência jihadista no seu extremo norte. Mas basta olhar para Cabo Verde para se perceber que a alternância política, com transferência pacífica do poder, diz muito mais sobre o futuro de um país do que uma mera renovação geracional.