A política internacional em cartoons

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Como é habitual - e saudável -, os grandes temas da política internacional alimentam a criatividade dos humoristas, entre os quais os cartunistas. Injustamente subvalorizados, estes profissionais da sátira juntam à capacidade de interpretar a atualidade o talento do desenho, produzindo o que se poderia designar por humor visual. Esta semana, escolhi três dos cartoons recentes da minha preferência, propondo-me aqui partilhar as suas mensagens.  

O primeiro, da autoria do neerlanês Joep Bertrams e publicado em CagleCartoons.com, refere-se às eleições americanas. Elon Musk aparece cavalgando uma cabeça de Donald Trump como se fosse um hobby horse (o tradicional cavalo de brinquedo), numa metáfora do uso de Trump como uma ferramenta ou uma forma de distração. Sugere que Musk gosta de usar ideias e figuras polarizadoras - como Trump - para se manter no centro das atenções e assim perseguir os seus interesses. A ideia que o cartoon veicula é a de que, pelos menos nos EUA, a política é também um espetáculo no qual empresários e influenciadores veem oportunidades para seu próprio benefício.

O segundo cartoon é sobre o clima. Publicado no The Boston Globe e da autoria do americano Christopher Weyant, retrata duas pessoas numa pequena ilha inundada. Uma das personagens, em pânico, admite finalmente acreditar nas alterações climáticas e pede para voltar para o continente antes que surja novo furacão, ao que a outra replica: “Voltar? Este pedaço de terra é o continente!”. A imagem satiriza a relutância de muitas pessoas em acreditar na gravidade do aquecimento global, até ao dia em que sofrem diretamente as suas consequências. A ilha minúscula cercada por água simboliza o planeta Terra à mercê de desastres naturais cada vez mais frequentes, uma realidade que, por esta altura, ganha atualidade na costa leste dos Estados Unidos.

Por fim, o cartoon do ucraniano Vladimir Kazanevsky publicado em PoliticalCartoons.com, que remete para o tema da entrada da Ucrânia na NATO. Na imagem é apresentada uma grande porta com o logotipo da NATO, na base da qual existe uma outra porta mais pequena, pintada com as cores da bandeira da Ucrânia, sugerindo a ideia de que este país está a tentar entrar ou obter proteção. Ao lado das portas, penduradas na parede, estão várias chaves, uma das quais com um símbolo nuclear. Pretende o autor simbolizar a delicada questão do envolvimento militar direto do ocidente e os riscos de uma escalada para um conflito global de dimensão nuclear. Simbolicamente, as portas estão fechadas e a chave do controlo da bomba está pendurada.

Por razões de espaço, esta minha seleção de cartoons está amputada de um outro tema crítico da atualidade internacional, o conflito entre Israel, o Hamas e o Hezbollah, que contemplarei em próxima oportunidade.

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