Vance contra Rubio? E se for o ‘ticket’ Vance-Rubio?

Helena Tecedeiro

Editora-executiva do Diário de Notícias

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Com Donald Trump impedido pela Constituição de procurar um novo mandato, muito se tem especulado sobre quem será o candidato republicano às presidenciais de 2028 nos EUA. E dois nomes dominam as apostas: o do vice-presidente JD Vance e o do secretário de Estado Marco Rubio. Por inerência do cargo, o primeiro surge como herdeiro e favorito, mas o segundo tem ganhado momentum, como quando surgiu no lugar da porta-voz Karoline Leavitt num briefing da Casa Branca e, questionado sobre a sua “esperança para a América” deu uma resposta que se tornou viral.

“À medida que nos aproximamos deste 250.º aniversário [da independência], penso que temos muito a aprender e de que nos orgulhar na nossa história. Trata-se de um percurso de melhoria constante e contínua, em que cada geração contribuiu para nos aproximar da concretização da visão que os Pais Fundadores deste país tinham aquando da sua fundação”, afirmou na altura.

A dois anos e meio das presidenciais e com umas intercalares marcadas para novembro que podem mudar o equilíbrio de poderes em Washington, as sondagens mostram tanto Vance como Rubio em dificuldades para derrotar os potenciais rivais democratas. Pelo menos aqueles de que se fala neste momento, da ex-vice-presidente Kamala Harris ao governador da Califórnia, Gavin Newsom.

Talvez por isso Donald Trump tenha vindo esta semana falar numa outra hipótese. E se em vez de JD Vance e Marco Rubio lutarem pela sua sucessão, os dois se juntassem no mesmo ticket?

“Gosto de ambos. E gosto deles juntos”, garantiu o presidente no podcast Pod Force One, do New York Timesi “Não sei como é que se consegue vencê-los se estiverem juntos”, disse ainda, garantindo: “Seria uma equipa fantástica.” O que Trump não disse foi quem lideraria este dupla, ou seja, quem seria o presidente e quem seria o vice, sendo difícil de imaginar que Vance aceitasse continuar a estar a um batimento cardíaco da Casa Branca em vez de se querer sentar na Resolute Desk na Sala Oval.

Garantido que Vance e Rubio têm “uma boa relação”, Trump admitiu que os dois são “semelhantes de várias formas”. Ora sabemos que num ticket o candidato procura geralmente um companheiro que o complete. E John F. Kennedy-Lyndon Johnson, em 1960, são o melhor exemplo disso: com o experiente senador do Texas, visto como mais conservador, a equilibrar a inexperiência do jovem senador do Massachusetts, sendo essencial para vencer no Sul.

Com Bush pai, nas eleições de 1988, a ser o último vice-presidente a suceder diretamente ao presidente na Casa Branca (Al Gore falha, Dick Cheney não tenta, Biden só chega lá após quatro anos), Vance pode ver vantagem em aliar-se a Rubio, que lhe traria não só a experiência como o apelo junto da comunidade hispânica e do sul, com as suas raízes cubanas e o ter sido senador da Florida. Mas Rubio, hoje com 55 anos, aceitaria deixar Vance, 14 anos mais novo, liderar o ticket?

Essa é uma das dúvidas. Outra é quem os democratas vão escolher para tentar o regresso à presidência e se será capaz de bater uma eventual “dupla maravilha” Vance-Rubio. Ou será Rubio-Vance?

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