Nos últimos tempos a realidade mediática nacional tem sido: manifestações, greves em vários setores, dezenas de tendas colocadas em praças emblemáticas de Lisboa e Porto, acusações em processos judiciais que atingem antigos autarcas e um antigo primeiro-ministro que continua a saga de adiamentos de sessões em tribunal ao ponto de praticamente ninguém saber como estamos nesse julgamento.
A ajudar este retrato que nem sei bem que título ou legenda lhe poderemos dar, mas que será uma frase triste certamente, o país-comentador tem também andado entretido com a novela capitão Ronaldo. Neste caso, os responsáveis pela análise e decisão de castigos na Federação Portuguesa de Futebol, seção não profissional, decidiram aplicar uma sanção que servisse de exemplo para quem possa um dia decidir abandonar o estágio da seleção: 30 dias de suspensão e uma multa de 255 euros. É verdade que este castigo está dentro dos parâmetros previstos pelos regulamentos, mas convenhamos que uma decisão destas ficaria melhor numa comédia do que no dia-a-dia dos adeptos de futebol. E não dá exemplo nenhum.
Estamos, assim, perante um país que poderia ser representado como uma matrioska onde cada boneca que retiramos do conjunto acrescenta um problema para resolver e sempre acompanhado de discussões, acusações entre dirigentes políticos e ziguezagues de outros que numa semana apoiam uma lei e na outra, como esta é contestada, já admitem que afinal talvez seja melhor mudar.
Muita da contestação que se ouve e vê nas ruas não surpreende. Na realidade, os problemas na Educação e Saúde, por exemplo, arrastam-se há anos com vários governos a prometerem resolver algumas dessas questões, mas a verdade é que nunca o conseguiram.
A mais recente polémica é a do custo da habitação e da falta de casas. De repente descobriu-se que há falta de casas, que as rendas são altas e que a grande maioria da população - nomeadamente os jovens - não conseguem ter acesso a um apartamento. Ora, como todas as pessoas informadas sabem que essa questão existe há vários anos e decisões como, por exemplo, considerar moderada uma renda de 2300 euros, não ajudam a resolvê-la. Tal como não é possível construir-se rapidamente casas - a falta de mão de obra é elevada no setor e não há perspetiva de melhorar. Talvez a opção possa passar por mudar de paradigma e recorrer-se à construção modular ou pré-fabricada.
Portanto, parafraseando o antigo primeiro-ministro José Sócrates tudo isto é um “teatro do absurdo” onde se discute muito e resolve-se devagar e pouco.