Já aqui destaquei que a retirada total do Exército Português da antiga colónia da Guiné, em outubro de 1974, originou a saída simultânea dos médicos, enfermeiros e técnicos de saúde, uma vez que estavam incorporados juntamente com as restantes tropas. A maioria eram milicianos que cumpriam o serviço militar obrigatório.Como sempre acontecera, prestavam assistência clínica não só aos soldados portugueses aí destacados, mas, igualmente, a civis, incluindo às populações guineenses nas zonas rurais.Ora, sem médicos, os novos governantes do PAIGC tinham de resolver o problema. Era uma prioridade absoluta.Naturalmente, os poucos médicos formados durante a Luta foram nomeados para desempenharem altos cargos na Administração Pública, designadamente como diretores-gerais. Era, portanto, necessário mobilizar estrangeiros e organizar o Sistema de Saúde a nível nacional. Para tal, o comissário de Estado João da Costa planeou a colocação dos diferentes contingentes de cooperantes concentrada em localidades distintas umas das outras. Nestes termos, a capital receberia cooperantes cubanos, enviados por decisão de Fidel Castro, logo a seguir à Independência. Era um dilatado número de médicos de todas as especialidades que, desde cedo, passou a garantir o funcionamento do principal hospital de Bissau. Mas, Bafatá funcionaria com as equipas da cooperação da URSS, enquanto que os médicos chineses iriam exercer no hospital de Canchungo.No âmbito da cooperação bilateral, João da Costa separou, desta maneira, a prestação de cuidados de saúde por equipas: Cuba, URSS e China. Aliás, tinham sido os principais países que apoiaram ativamente a Luta conduzida pelo PAIGC.A Organização Mundial da Saúde e a UNICEF colaboraram na implementação do programa de vacinação na perspetiva da redução da mortalidade infantil e materna.Com o novo Portugal, a Guiné-Bissau estabeleceu um mecanismo de assistência médica hospitalar destinado a doentes que seriam evacuados por via aérea, desde que necessitassem de terapêutica especializada por serem portadores de doenças que não podiam ser tratadas no hospital de Bissau.As agências de cooperação de países, particularmente nórdicos, garantiam o financiamento de projetos inovadores de promoção da saúde focados na universalidade do acesso a cuidados desenvolvidos com a plena participação dos próprios membros que integram as comunidades. Na região de Madina do Boé, o Projeto de Saúde de Base adquiriu expressão modelar. Constituiu fonte de inspiração para as recomendações da célebre Declaração de Alma Ata sobre Cuidados Primários de Saúde, em 1978. franciscogeorge@icloud.com