Prossigo as descrições, resumidas, sobre as descobertas principais que marcaram a evolução das ciências médicas durante a primeira metade do século XX.Em 1933, o médico inglês Wilson Smith (1897-1965) foi o primeiro a demonstrar que a gripe é provocada por um vírus. As pesquisas que, então, conduziu em furões comprovaram que a gripe é uma doença infecciosa comum a animais e seres humanos e que o respetivo agente causal não era retido em filtros de porcelana, devido à sua reduzida dimensão. Ou, dito de outra maneira: o vírus da gripe atravessa os poros de porcelana em consequência do seu minúsculo diâmetro. Poucos anos depois, na era da microscopia eletrónica, desenvolvida a partir do início da década de 40, verificou-se que o vírus da gripe mede, em média, 100 nanómetros (portanto, é dez mil vezes mais pequeno do que um milímetro).Curiosamente, logo em 1937, o médico norte-americano Joseph Stokes, Jr. (1896-1972) preparou a primeira vacina contra a gripe e insistiu na importância em induzir a imunização sazonal, a fim de limitar as complicações da gripe durante a estação fria do ano.Também em 1937, o cientista sul-africano Max Theiler (1899-1972) descobriu a vacina contra a febre amarela, tendo, por isso, recebido o Prémio Nobel. A vacina antiamarílica representou o fim do risco de viajantes adquirirem a febre amarela, assim designada pela cor da pele característica da icterícia.Em 1939, o químico suíço Paul Müller (1899-1965) divulgou o uso do DDT como inseticida, motivo pelo qual viria a ser laureado com o Nobel da Medicina. O DDT foi, na altura, amplamente aplicado como pesticida, tanto para controlar pragas agrícolas, como doenças infecciosas transmitidas por mosquitos, nomeadamente o paludismo e dengue.Em 1943, o bioquímico ucraniano Selman Walksman (1888-1973) anunciou a descoberta do primeiro antibiótico realmente eficaz para o tratamento da tuberculose: a estreptomicina. Uma imensa diferença no controlo da tuberculose. Receberia, muito justamente, o Prémio Nobel da Medicina.Ainda antes do fim da primeira metade do século, duas descobertas essenciais viriam a impulsionar o progresso da Saúde Pública, a nível mundial.Preciso.A partir de 1947, a utilização generalizada da cloroquina para prevenção e tratamento do paludismo, que tinha sido sintetizada, em 1934, pelo químico alemão Hans Andersag (1902-1955).Em 1949, o cientista norte-americano John Enders (1897-1985) viria a cultivar no laboratório o vírus da poliomielite (paralisia infantil) e a tornar possível a futura preparação da respetiva vacina. Iniciou a época das vacinas modernas.(Continua) franciscogeorge@icloud.com