1. Instalou-se uma esdrúxula discussão sobre a obrigatoriedade de certas faculdades públicas manterem o seu nome em Português, não tendo o respetivo reitor proibido o uso concomitante de denominações noutros idiomas.Foi o suficiente para cair o “Carmo e a Trindade”, talvez sendo apropriado dizer que caiu o “Big Ben” e a “Tower Bridge”: pois que esse despacho reitoral, escrito em cumprimento da lei e na iminência de uma intervenção coerciva do Ministério Público, tinha posto em xeque a autonomia e a internacionalização de uma dessas faculdades.Há aqui um problema de fundo, que é o aventureirismo da ignorância a respeito de um dos traços da identidade da CRP: o princípio da oficialidade da Língua Portuguesa, preceituado no seu art. 11.º, n.º 3.. 2. A importância da oficialidade do Português nem sequer passou a ser contemplada com esta alteração introduzida pela 5.ª revisão de 2001, porquanto era antes aceite como existente na modalidade de costume constitucional.Isso compreende-se muito bem porque acaba por ser neste momento a língua, diante a “força compressora” de um multiculturalismo desregrado, o único fator de identidade nacional que ninguém – ainda – se atreveu a comprometer.Lamenta-se que a CRP tenha acordado tarde para este problema e não imponha, de um modo explícito, que o domínio do Português é um dos requisitos para se aceder à nacionalidade portuguesa.O seu art. 4.º – que devia tratar do assunto – é uma “norma em branco”, atirando para as mãos das maiorias absolutas conjunturais algo que devia ser comum à maioria e à oposição de todos os tempos, assim se sendo conivente com os mais perigosos internacionalismos, quer proletários, quer capitalistas.. 3. Claro que quem defende a necessidade de se manter o Português, no contexto do uso público da língua, é logo apodado de “retrógrado”, com a acusação de não perceber a liderança do inglês no mundo de hoje.Este talvez seja um dos mais pobres exercícios argumentativos a que se tem assistido nos últimos anos, o que nem sequer é suposto imaginar no mundo académico, que pelos vistos está em “queda livre” no menor grau de inteligência que vai mostrando no sangue que circula nas suas artérias.Desde logo, não se percebe como a simples manutenção de uma dupla denominação inviabiliza essa dita internacionalização, qual rei Midas que, ao mudar o nome da coisa para inglês, a transforma em ouro… ."A importância da oficialidade do Português nem sequer passou a ser contemplada com esta alteração introduzida pela 5.ª revisão de 2001, porquanto era antes aceite como existente na modalidade de costume constitucional.”.Depois, é ver a realidade que muitos estudantes retratam, até porque as aulas serem em Português nunca impediu, nem impede, a investigação em línguas estrangeiras:– docentes estrangeiros que sabem menos inglês do que os estudantes, alguns com uma pronúncia que torna o seu discurso ininteligível;– obrigação de falar inglês em aulas cujos materiais de estudo, como legislação, decisões jurisprudenciais e manuais doutrinários, só existem em Português;– na mistura entre estudantes portugueses e estrangeiros, a menorização dos portugueses, que numa faculdade pública são obrigados a renunciar à sua língua oficial, que é seu direito usar, para acomodar a conveniência de uns quantos endinheirados estudantes estrangeiros que, na maior parte dos casos, só levam de volta o contributo que deram para o turismo nacional, mas não para a Ciência.4. O resultado está à vista: uma discriminação inadmissível entre estudantes - como se aprender Português fosse assim tão difícil - e com o elevado risco de Portugal, agora em certas academias, se tornar mais um “protetorado anglófono” de certas universidades ou fundações americanas e não só.É pena: o Ultimatum Inglês do século XIX continua vivo e bem vivo e certos lusitanos bem gostam de meter o rabinho entre as pernas e obedecer.