Polícias, para que os queremos!

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A polícia deve estar mais perto das pessoas, mas sem perder capacidade operacional forte de resposta e investigação.” Esta declaração, correctíssima e muito oportuna, foi proferida pelo novo ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Nesta afirmação está expressa toda a missão policial que deve ser exercida pelos efectivos da PSP, na verdadeira dimensão da função policial de proximidade aos cidadãos.

Como sabemos, não é isso que tem acontecido. Na cidade de Lisboa não vemos um polícia de giro (duvidamos que isso ainda exista), nem vemos carros patrulha a circular em acções de vigilância preventiva nas zonas mais problemáticas da cidade ou, até mesmo, nas menos problemáticas. A cidade de Lisboa está um caos. Os cerca de 700 polícias municipais que existem em Lisboa servem, sobretudo, para dar apoio à EMEL no que respeita ao reboque de viaturas e estacionamentos proibidos. Caça à multa, pois claro. Ou, ainda, para a eventualidade de actuação num qualquer problema de trânsito. E ficam por aí!

Lisboa está, pois, um inferno. As motorizadas de distribuição de alimentos circulam em contramão. Circulam e estacionam nos passeios desrespeitando e pondo em perigo a segurança dos peões. Não respeitam os sinais vermelhos de trânsito, ameaçando os transeuntes que passam com o sinal verde nas passadeiras que lhes estão dedicadas. As perigosas gincanas das motorizadas de distribuição de comida, num zigue-zague perigoso, ora à esquerda, ora à direita, à volta dos automóveis, são o pão nosso de cada dia. As faixas Bus são pistas quase exclusivas das motas Bolt, Uber Eats e afins, que as utilizam em alta velocidade.

Do conjunto de elementos da PSP na cidade de Lisboa, não há um polícia, uma patrulha da PSP ou da Polícia Municipal que veja e controle estas situações. Os ciclistas de distribuição de comida, à noite sem luzes de sinalização, ignoram as ciclovias construídas e destinadas às bicicletas para circularem nos passeios exclusivos dos peões. É um fartar vilanagem sem qualquer respeito pelas regras de trânsito estabelecidas para Lisboa.

Mais uma vez não se vê uma patrulha de polícia que controle estas situações, multe, verifique documentos, seguros, apreenda veículos que estão desconformes com as leis em vigor.

São os cidadãos que com os seus impostos pagam à PSP. A PSP custa-nos 1,18 mil milhões de euros, dos quais 952 milhões saem, directamente, do Orçamento do Estado. Mas não vemos nas ruas os polícias que pagamos com os nossos impostos. Não sabemos onde estão. Talvez fechados nas esquadras em tarefas burocráticas, a operar, lentamente, um computador que produz avisos de tribunal ou multas, ou, ainda, numa outra qualquer treta administrativa. Cerca de 30% dos efectivos da PSP estão afectos a actividades administrativas.

Os TVDE, numa abusadora ocupação das vias públicas, param com os quatro piscas ligados, em segunda ou terceira fila, interrompendo o fluxo normal de trânsito, carregando ou descarregando as malas dos turistas, durante largos minutos. Alguns são arrogantes e mal-educados. Os outros automobilistas que esperem. Há ambulâncias? Que esperem! Há gente com urgência na deslocação? Que esperem! Os TVDE são os novos donos da cidade de Lisboa. Polícia, seja ela a PSP ou Polícia Municipal, não sabemos onde está!

A PSP deixou de servir o cidadão que a paga. Entrou numa lógica mercantilista. Querem ver polícias? Vão onde estão os serviços gratificados. Nos supermercados. À porta das embaixadas. Nos acontecimentos futebolísticos. Num qualquer evento privado com capacidade financeira para pagar à polícia. É aos gratificados que a PSP vai buscar os 222 milhões de euros que constitui uma parte do seu Orçamento. Qual polícia de giro! Qual patrulha motorizada! Se existir um assalto, esperem 30 a 40 minutos até que apareça um ou dois dos 6700 polícias que há em Lisboa.

Nas zonas de distribuição e consumo de droga, em Lisboa ou Porto, seja, na Rua do Benformoso ou no centro histórico do Porto, não se vêm patrulhas de polícia que controlem ou dissuadam os protagonistas dos circuitos de droga. Consumidores ou vendedores actuam com total impunidade à luz do dia ou a coberto da noite.

Há, em Portugal, 1,9 agentes por cada mil habitantes, que custam, por homem, cerca de 40 mil euros por mês.

O ministro Luís Neves prometeu uma PSP de maior proximidade. Vamos aguardar. No dia em que virmos uma patrulha da PSP, a pé, de bicicleta, em viatura, a passar numa qualquer rua em acção de prevenção e segurança, então sim, abrimos uma garrafa de espumante a fazemos uma festa lá no bairro.

Diário de Notícias
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