Parabéns pelo 22.º lugar

Mariana Leitão

Presidente da Iniciativa Liberal

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Durante anos disseram-nos que estávamos a convergir com a Europa. Era um álibi de António Costa. Era uma justificação de Mário Centeno. A narrativa era cuidada, os números seleccionados com atenção, e quem duvidasse, como a Iniciativa Liberal duvidou, era acusado de catastrofismo. Apresentaram como sucesso um país que não existe, um país que não cresce, um país que residia apenas na sua imaginação.

Os dados que o INE publicou na semana passada acabaram com a narrativa. A revisão da população para 11,4 milhões obriga a recalcular o PIB por habitante. O resultado: caímos de 81% para 76% da média europeia. Do 18.º para o 22.º lugar no ranking, ao nível da Roménia e da Croácia. Em 2000 estávamos a 85%.

Vinte e cinco anos, vários governos, milhares de milhões em fundos europeus e estamos piores.

O que isto significa é que um país que produz menos por pessoa paga menos a cada pessoa. O salário médio português é de 1700 euros brutos mensais. O alemão é o dobro. O suíço, destino tradicional de emigração portuguesa, é quase o triplo. Quem tem qualificações e opções faz as contas e sai. Vai-se embora.

A poucos dias do INE publicar estes números, Luís Montenegro afirmou que a saúde financeira portuguesa “faz corar de inveja qualquer economia da União Europeia”. É o mesmo Luís Montenegro que tem a despesa a crescer, que povoa o Estado com os boys do PSD, que viu o ano arrancar já com défice e que tem os serviços públicos de que os portugueses precisam a definhar. O mesmo que tentou aprovar uma reforma laboral sem ter sequer tentado explicar aos portugueses porque é que dela precisavam. Dois anos de governo e Portugal não melhorou.

Mas o PS não pode apontar o dedo a ninguém. Foi o PS que construiu este sistema, que o protegeu durante oito anos, que bloqueou cada reforma que ameaçava os interesses instalados. Costa e Centeno sabiam que os números não eram o que diziam. Mentiram.

A doença de que sofremos é que em Portugal ninguém paga o custo político de não fazer mudanças. O modelo fiscal penaliza quem cria riqueza há décadas. O funcionalismo cresceu sem que os serviços melhorassem. A Segurança Social tem uma dívida implícita às gerações futuras que ninguém quer calcular. Cada uma destas não-decisões teve um custo que foi sendo empurrado para a frente, para a próxima geração.

A conta chegou. Chama-se 22.º lugar na Europa. É a consequência de décadas de reformas adiadas, de narrativas fabricadas e de uma classe política que prefere gerir o declínio a explicar o que é preciso mudar e ter coragem de o fazer.

Portugal não está condenado a ficar aqui. Mas enquanto os portugueses continuarem a eleger os mesmos partidos que construíram este sistema ou que dele querem desesperadamente fazer parte, não devem surpreender-se quando tudo fica igual. A Iniciativa Liberal existe precisamente para dizer o que os outros não dizem, propor o que os outros não propõem, e incomodar quem tem interesse em que tudo fique na mesma.

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