A Greve Geral convocada pela CGTP para esta quarta-feira aponta a perspectiva de uma poderosa resposta dos trabalhadores de rejeição do pacote laboral em que o governo continua a insistir.Não é caso para menos e só isso já seria motivo de sobra para justificar a mobilização dos trabalhadores. O que está em causa é um perigoso ataque aos direitos de quem trabalha e é preciso que essas intenções sejam derrotadas. Caso contrário, a perspectiva das atuais e futuras gerações de trabalhadores seria a de uma vida de instabilidade, incerteza, precariedade, baixo salários, desregulação de horários de trabalho, impossibilidade de compatibilizar a vida profissional com a vida familiar, desprotecção face à violação de direitos nos locais de trabalho.É da vida concreta dos trabalhadores que se trata, mas é também o futuro do país que está em causa. É, por isso, natural que a CGTP tenha centrado as razões para a Greve Geral na defesa dos direitos dos trabalhadores mas tenha somado outras exigências às reivindicações laborais.Uma das razões que se acrescentam com maior destaque é precisamente a reivindicação do combate ao aumento do custo de vida.A subida dos preços tem atingido de forma muito negativa a vida dos trabalhadores e do povo. Sobretudo num contexto em que os preços sobem mas os salários não acompanham, o aumento do custo de vida tem um impacto devastador na vida de milhões de pessoas.Está à vista de todos que a explicação para este aumento de preços se encontra numa combinação trágica entre a guerra de agressão dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, o aumento do preço de combustíveis, fertilizantes e outras matérias primas e as políticas (neo)liberais que permitem aos grupos económicos aproveitarem-se destas circunstâncias para multiplicar lucros com aumentos de preços que, em muitas circunstâncias, são descaradamente especulativos.Sendo estas as razões que justificam o aumento dos preços é, por isso, inteiramente justa a reivindicação de uma política de combate ao aumento do custo de vida e de controlo dos preços que a CGTP aponta para esta Greve Geral.E torna-se ainda mais importante sublinhá-la depois do governador do Banco de Portugal (BdP) ter anunciado que irá defender exatamente o contrário junto do Banco Central Europeu, propondo um aumento das taxas de juro já em Junho.O aumento das taxas de juro tem o efeito automático de carregar ainda mais o aumento do custo de vida por via do aumento dos custos do crédito, designadamente dos empréstimos à habitação. Ao mesmo tempo, por via desse aumento das taxas de juro multiplica-se a acumulação de lucros, designadamente da banca.Entre o pacote laboral defendido pelo Governo e o aumento das taxas de juro defendido pelo governador do BdP, ficam os trabalhadores numa tenaz ameaçados por cortes ainda maiores ao valor real dos seus salários e ao seu poder de compra, com a consequente degradação das suas condições de vida.Faça-se também a greve para destruir esta tenaz! Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico