Mudar o mundo a partir de Cascais

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O ano de 2009 marcou um dos (bons) momentos em que, enquanto presidente da Câmara de Cascais, estava no lugar certo, à hora certa e com as equipas certas.

Talvez tenha tido o mérito de fazer a pergunta certa: “Como criamos um espaço de reflexão plural, uma janela do país para o mundo, que posicionasse Cascais entre o liberalismo de Davos e o socialismo de Porto Alegre?”

A resposta veio na forma das Conferências do Estoril (CE), que nasceram como expressão do interesse de um grupo de jovens que juntei e ouvi. As suas preocupações prendiam-se com a necessidade de elevar os níveis de talento, tecnologia e tolerância de Cascais.

A presença universitária, a nossa Nova SBE, é resultado disso. Outras se seguirão na integração desta que é a “Praia Universitária” e que contará ainda com as Faculdades de Direito e Medicina, tal como a evolução de Tires para um aeroporto universitário que dará respostas e formação técnica e superior nas áreas da engenharia aeroespacial e aeronáutica. 

Por todo o concelho crescem projetos liderados pelos mais jovens, talentosos e tolerantes. Muitos deles continuam a seguir o seu caminho não apenas de alunos brilhantes, mas sobretudo de cidadãos livres e empenhados nos desafios globais.

Hoje afirmo com muito orgulho que todos conhecem as CE. Sabem que são um caminho. São de todos aqueles que, independentemente da língua, do credo ou da nação, sentem e vivem o mundo como nós o sentimos e vivemos a partir da identidade de cada um. São um espaço de convergência que adotou uma abordagem que considero fundamental: a gloCalização. Em vez de se limitarem a responder num ambiente de globalização, adaptando o local às macrotendências globais, aqui procura-se partir do local para impactar o cenário macro. Aqui são potenciadas as forças locais, transformando-as em tendências globais.

Hoje reforço que vivemos tempos muito complexos: guerra, emergência climática, crise energética, escassez alimentar, retrocessos democráticos e de-globalização. Este encontro, porém, obriga-nos a elevar o olhar e a ter esperança num mundo melhor.

É esta a herança das CE: liberdade, democracia, humanismo, ação política e profunda convicção no potencial de cada pessoa. Talvez o único espaço no mundo onde prémios Nobel, ativistas e chefes de Estado partilham o mesmo palco com jovens.

Nestes dias de incerteza, invoco o ensinamento do Papa Francisco e da encíclica Laudato Si, que destaca a urgência de cuidar da “nossa casa”, propondo uma ecologia integral que não apenas protege o meio ambiente, mas também restaura a dignidade humana. É importante que todos os líderes mundiais tenham em mente que é urgente Re-Pensar a era em que vivemos. Re-Humanizar o mundo com base nos ODS, respeitando tornando o mundo mais humano e sustentável.

Confio que, durante os próximos dias, o poder dos participantes não virá do que já fizeram, mas sobretudo do que se propõem fazer para tornar Cascais, o nosso país e o nosso mundo lugares muito melhores.

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