O MECI não acredita nas ModA

Paulo Guinote

Professor do Ensino Básico

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O actual Governo da AD quis acabar com as inúteis provas de aferição do Ensino Básico dos mandatos anteriores na Educação. Como o Governo do PS/Geringonça, em 2015, quis acabar com as provas finais do ministro Crato da AD por considerá-las “exames”, e como este quis acabar, em 2011, com as provas de aferição que tinha herdado dos anteriores governos desde o final dos anos 90 do século XX. E foram criadas as provas ModA (Provas de Monitorização da Aprendizagem).

Pelo caminho, perdeu-se quase todo o valor que poderia ter este tipo de provas como ferramenta para acompanhar o desempenho dos alunos ao longo do tempo em algumas disciplinas, com destaque para a Matemática e o Português. A verdade é que o oportunismo político, com base em preconceitos ideológicos, agarrou em centenas de milhar de alunos e, nos últimos 15 anos, decidiu usá-los como matéria-prima para experimentações com escasso sentido, mesmo quando certas mudanças poderiam ter algumas vantagens (a rotatividade das disciplinas, por exemplo).

Mas, até agora, cada equipa ministerial transmitia a sensação de acreditar, com ou sem razão, no seu modelo de provas de avaliação externa, destinadas a funcionar como um aferidor, mesmo que ténue, do estado e evolução das aprendizagens dos alunos do Ensino Básico, em particular dos 1.º e 2.º ciclos de escolaridade. No caso dos actuais governantes foi dada a aparência de acreditarem neste modelo e no facto de serem feitas em suporte digital, até se introduzindo a fase das “provas-ensaio” para que as escolas pudessem testar as condições técnicas e ter uma noção da preparação dos alunos.

Essa aparência de preocupação vai-se desfazendo com o tratamento dado à sua realização este ano lectivo. Ontem, iniciou-se o período de realização das provas de Educação Artística para os alunos do 4.º ano e amanhã será a vez da prova de Inglês para os de 6.º ano. Mas, até ao início da semana, desconheciam-se os resultados das provas-ensaio realizadas em Abril. O que é tanto mais estranho quanto a larga maioria dos itens era de classificação automática, devido à realização em suporte digital.

Ao não se conhecerem, em tempo útil, os constrangimentos sentidos durante a realização da prova, de modo que cada escola possa perceber se os seus problemas foram específicos ou partilhados, assim como ao se desconhecer o desempenho dos alunos em termos das aprendizagens, as escolas ficam sem qualquer ponto de referência para orientarem, adaptando no sentido de uma eventual melhoria, o trabalho pedagógico dos professores com as turmas.

Ficamos sem perceber se algo correu mal na classificação das provas-ensaio, se o MECI acha que a sua realização apenas serviu para detectar os equipamentos em falta, as extensões eléctricas necessárias para cada sala ou o (frágil) estado das ligações à internet ou se apenas desistiu de as levar a sério, por saber que, no fundo, ninguém as leva muito a sério pela sua ausência de consequências, pois só lá para Novembro se anuncia o relatório final.

Mas se assim é, para que vamos estar a perder tempo, em período lectivo, e a gastar recursos a fazer provas nas quais nem a própria tutela parece acreditar?

Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico

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