O mais poderoso instrumento para ganhar

Manuel José Guerreiro

Presidente da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras

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Um especial agradecimento à prof. Graça Martinho a mentora do projeto, e ao agrupamento das Escolas Henriques Nogueira.

Esta instituição “corre” atrás do futuro, que está a ser preparado e que será ainda mais visível na segunda metade deste mandato.

Num banco cooperativo todos são importantes, mas o futuro é dos jovens.

O exercício da escrita tem-me oferecido a oportunidade de resistir à tentação de viver sempre em mar alto. A adrenalina permanente, o foco constante, a atenção aos resultados, às equipas, aos clientes, à comunidade, às consequências das decisões que se tomam, aos contratos que se fecham ou recusam, às ilusões que se constroem, necessariamente às desilusões a que não podemos fugir, tudo isso… todos os dias são um combate feito de convicções e de uma enorme alegria e responsabilidade, mas também de exigência e com o perigo de nos fecharmos numa redoma onde nos divorciamos da vida concreta e, progressivamente, deixamos de ter tempo para pensar, para estar connosco, para convocar o silêncio.

Pensar, estar connosco e ser cúmplice do silêncio é fundamental no processo de decisão e no crescimento dos países, das cidades, das empresas, das instituições financeiras e, sem dúvida, das famílias e de cada um de nós. Escrever é juntar palavras e ideias, procurar nexos, consequências, paradoxos, ligações e sentido de pertença. Escrever e ler. Duas palavras que são irmãs siamesas, parte do mesmo ofício, o mais poderoso instrumento de crescimento e multiplicação de potencialidades e oportunidades.

Perguntam-me algumas vezes se existe uma forma de estimular os filhos à leitura. Respondo sempre da mesma forma: lendo em casa, oferecendo o seu exemplo, é importante que crianças e adolescentes vejam os seus pais a ler. É um exercício muitas vezes difícil, significa abdicarmos do ecrã. De um interminável scroll onde procuramos incessantemente qualquer coisa que nos surpreenda, é além do mais uma fome que dificilmente se atenua, mas que nos condena à superficialidade. Ler é contemplar esse esforço pelo silêncio, mas a compensação é enorme. Em todos os estudos conhecidos é enorme a discrepância de sucesso entre quem lê e quem não lê, entre quem se familiariza com o pensamento e os que vivem ao sabor da rebentação dos dias.

Todos já ouvimos o sacramental conselho: “Descansa, não penses tanto.” Ou aquela piada inócua, mas que diz tanto: “Cabecinha pensadora!”. São sinais alarmantes de adormecimento social - é difícil encontrar uma pessoa que esteja a ler um livro no metro ou no autocarro.

No último ano, desde este nosso diálogo semanal, felizmente com leitores que me fazem chegar comentários, há quem mostre surpresa por eu ser presidente de uma instituição financeira, de uma Caixa Agrícola com sucesso por lhes parecer contraditório o que faço e o que sou. Ou entre o que faço e as referências que defendo. Ou entre o que faço e os livros que leio, os textos que escrevo, as ideias que defendo - como se um presidente de um banco não pudesse ser um leitor e gostar de romances ou poesia.

Neste agosto que parece sempre caminhar mais rapidamente para o fim do que em qualquer outro mês do ano, partilho consigo esta reflexão que, sendo um lugar comum, não é fácil de implementar nas nossas vidas, faço-o na certeza de que não devemos deixar de o fazer, de tentar, de oferecer o nosso exemplo, de alargar o nosso caminho.

Como nos escreveu o imenso Jorge Luís Borges: “Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso, sem dúvida, é o livro. Os demais são extensões de seu corpo. O microscópio, o telescópio, são extensões de sua vista; o telefone é extensão da voz... Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.” É isto, e apenas isto.

manuel.guerreiro@ccamtv.pt

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