"É o jogo das nossas vidas”. A frase do treinador do Torreense, Luís Tralhão, deve estar a ser repetida inúmeras vezes por estes dias em Torres Vedras, a cidade que por agora é mais mediática devido ao futebol e não pelos seus festejos de Carnaval. A proeza do Sport Clube União Torreense ao chegar à final da Taça de Portugal, na mesma época em que vai tentar regressar à 1.ª liga disputando o lugar com o Casa Pia (começou na quarta-feira com um empate a zero e o segundo jogo será na quinta-feira, dia 28), é um dos pontos altos do fim de semana desportivo nacional.É claro que há milhares de atletas, de inúmeras modalidades, que vão estar em ação no sábado e domingo a mostrar as suas capacidades, a tentar ganhar títulos individuais e/ou coletivos, objetivo para o qual trabalham arduamente durante a semana, mas a final da Taça acaba por concentrar todas as atenções tanto pelo que se passa no relvado do Estádio do Jamor como pela festa feita nos arredores pelos adeptos que antes, alguns durante, e depois do jogo se juntam numa romaria que vive muito além das táticas e golos – mas que é potenciada por estes, claro.Este dia futebolístico é, provavelmente, aquele que melhor expressa uma frase atribuída a Arrigo Sacchi, antigo treinador de futebol. Dizia ele que o "futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes”. Mas, a verdade é que, no próximo domingo, para milhares de adeptos – entre os que forem ao Estádio do Jamor, os que ficarem apenas nos arredores do recinto ou aqueles que seguirem o desafio pela televisão – o que fizerem os jogadores no relvado será a coisa mais importante do dia e, até, dos próximos meses caso o Torreense consiga vencer o Sporting. Por isso, Luís Tralhão tinha razão, este será o “jogo das vidas” deles.Continuando no tema Taça de Portugal é de elementar justiça destacar o facto de no plantel do Torreense estar um jogador que vai participar no Campeonato do Mundo de futebol, que terá lugar entre 11 de junho e 19 de julho nos EUA, México e Canadá. Trata-se do lateral-direito Stopira, que faz parte dos escolhidos pelo selecionador de Cabo Verde para participar na competição. Uma opção que foi recebida com uma enorme festa no balneário da equipa, divulgada nas redes sociais.Portanto, o clube de Torres Vedras vive momentos de euforia total: presença na final da Taça (onde esteve em 1956 tendo perdido com o FC Porto, por 2-0); a disputar um lugar no principal escalão do futebol nacional (despromovido na época 1991/1992) e com um atleta na mais importante prova mundial de seleções.A terminar este capítulo Taça, referência ao Sporting. Parte para esta final como o favorito, mas talvez seja uma boa ideia o treinador Rui Borges apelar ao bom senso dos atletas. É que há exemplos de finais em que a equipa leonina chegou a este jogo como grande favorita e depois perdeu: com a Académica em 2011-2012 (1-0) e em 2017-2018, com o então Desportivo das Aves (2-1). Desafio este que aconteceu depois da, de má memória para o clube, “invasão de Alcochete”.