O Império da indecência

António Rebelo de Sousa

Economista e professor universitário

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Nas primeiras eleições presidenciais que disputou com Hillary disse que se fosse, um dia, presidente, ela iria para a prisão.

Antes das últimas eleições, chegou a ser condenado pelos tribunais americanos, mas mesmo assim foi a presidente.

Ainda na última campanha eleitoral afirmou que daria prioridade à América e que, ao contrário dos democratas, não iria envolver-se em conflitos externos.

Mais, ainda, afirmou qua acabaria com a guerra na Ucrânia em 24 horas.

Disse, ainda, que iria debelar a inflação do tempo do saudoso presidente Biden e que iria desenvolver os EUA como nunca tinha sucedido anteriormente.

Mais tarde, já após as eleições, explicou que pretendia anexar a Gronelândia e o Canadá e que o mesmo iria acontecer a Cuba e à Venezuela, dando a entender que tinha algumas preocupações (muito perfunctórias, como já todos compreenderam) com os Direitos Humanos nesses dois países.

Explicou, também, que poderia, ainda, ser reeleito, porque o que determina a Constituição dos EUA não é bem para se levar a sério.

Optou por apoiar a extrema-direita alemã e o sr. Orbán, na Hungria, como o sr. Farage, no Reino Unido, patrocinando um novo Programa de Defesa Estratégica dos EUA, que critica os partidos do centro e os países aliados na Europa, preconizando uma mudança radical nesta região.

Disse optar pela Doutrina Monroe, que é algo que desconhece profundamente, uma vez que a mesma preconizava o direito à auto-determinação das colónias europeias (estando contra a intervenção das referidas potencias europeias no Continente Americano), bem como a não-ingerência dos EUA na Europa.

Criticou decisões do Supremo Tribunal americano, chamando nomes aos próprios juízes por ele designados.

Prometeu oferecer um prémio (a que chamou “Trump dividend”) aos cidadãos americanos se os democratas perdessem as eleições intercalares.

Acabou com o Kennedy Center porque o tribunal não permitiu que se passasse a designar Trump Center.

Promoveu torneios de luta livre nos jardins da Casa Branca e decidiu fazer um Salão de Baile à sua dimensão na residênia presidencial.

Decidiu alterar a designação de Estreito de Ormuz para Estreito do seu nome.

Passou, também, a nomear familiares e sócios para lugares de relevo em termos de representação do Estado americano em negociações.

Diz ter muita consideração e amizade pessoal pelo presidente Putin e considera isso perfeitamente conciliável com a sua condição de chefe de Estado dos EUA.

Enfim, em tempos tinha um amigo que, quando falávamos de alguém que ele considerava indecente, não tecia comentários.

Mas, logo que lhe falássemos de alguém decente, adiantava: esse, sim, é alguém decente.

Deixemos de falar de Trump e falemos, agora, do primeiro-ministro do Canadá.

E, nesse caso, adiantemos: Ah, esse sim, parece ser alguém decente!

Nem mais, nem menos...

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

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