Governa um país com impostos máximos e serviços mínimos. Recebe o maior envelope financeiro europeu de sempre e não faz uma única reforma estrutural com ele. Apresenta orçamentos sem ambição, que deixam Portugal “a meio caminho”. Gere o país “acenando e sorrindo”, sempre mais preocupado com as manchetes da manhã seguinte do que com os desafios das gerações que virão a seguir.Pratica o pensamento mágico. Convence-se de que basta ter “energias positivas” para que os problemas se resolvam. Quando confrontado com as falhas dos serviços públicos, a resposta é sempre a mesma: propaganda. Fala muito em “estado social” nos seus discursos, mas é incapaz de o transpor da retórica para a realidade. Responde à crise da habitação com anúncios. Responde à crise da saúde com conferências de imprensa. Gasta fortunas de dinheiro público e os serviços ficam piores. Nunca pagámos tanto para termos tão pouco.É o gestor do “poucochinho”. O primeiro-ministro das oportunidades perdidas. O homem que governa Portugal no registo do não-acontecimento.Foi assim com António Costa. Escrevi-o neste jornal, entre 2021 e 2023, mais do que uma vez.Guardo as palavras. Releio-as hoje. E percebo, com alguma melancolia, que continuam actuais. Demasiado actuais.Porque o problema não era apenas de Costa. Era e é atitude. Era e é cultural.A atitude do primeiro-ministro sem coragem reformista. O estilo que adia o que é urgente e anuncia o que nunca faz. O modelo de governar Portugal sem o transformar, gerindo os problemas em vez de os resolver.Luís Montenegro não é António Costa. A frase, dita sozinha, é verdade. Mas é insuficiente. Porque não ser Costa não é suficiente para ser o que Portugal precisa.Caducou a maioria absoluta, caducou a desculpa. Montenegro só dispõe de maioria relativa, mas vai tendo o PS como parceiro orçamental. Não é a geringonça, mas serve os mesmos fins: dar ao governo o conforto de mudar pouco. Sem as reformas fiscais prometidas, sem coragem para tocar no IRC progressivo que afasta investimento, sem a necessária reforma estrutural da saúde, sem o desagravamento real nem diminuição de escalões do IRS que fixem as gerações que ainda cá ficam, nem a reforma laboral que se perdeu em nove meses de aparentes negociações com quem já não representa o país actual.O país permanece adiado. Só mudou o procrastinador.As reformas de que Portugal precisa têm nome e data. Mas exigem coragem para ser feitas. A Iniciativa Liberal continuará a defendê-las, com a combatividade de sempre. O que falta não é diagnóstico. Falta só quem governe, de facto, em vez de anunciar e arquivar no gaveto do poucochinho.Deputado da Iniciativa Liberal e vice-presidente da Assembleia da RepúblicaEscreve sem aplicação do novo acordo ortográfico.